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Rússia aproveita crise em Ormuz e usa acesso a fertilizantes como pressão para apoio

Rússia Aproveita Crise em Ormuz para Exercer Pressão

O bloqueio do Estreito de Ormuz, inicialmente praticado pelo Irã e posteriormente pelos Estados Unidos, tem se tornado um fator benéfico para a Rússia. Com a interrupção da rota que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, onde passa cerca de um terço dos suprimentos globais de fertilizantes transportados por mar, a Rússia emerge como uma alternativa natural. Como o segundo maior produtor e o maior exportador de fertilizantes do mundo, os embarques russos não dependem da rota de Ormuz.

A Rússia está transformando o acesso a esses suprimentos em uma arma de pressão, buscando angariar apoio não apenas no Sul Global, mas também nos EUA e na Europa, para garantir a flexibilização das sanções ocidentais. Isso se reflete na estratégia de diversificar as rotas de exportação de fertilizantes em direção ao Sul Global, o que tem dado resultados, com empresas russas fornecendo cerca de um quarto das importações de fertilizantes de países como Brasil e Índia em 2025.

Estratégia de Pressão

A Rússia percebeu uma nova oportunidade diante do medo de interrupções em Ormuz, que poderiam bloquear embarques de fertilizantes e gerar uma crise alimentar global. O vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Alexander Venediktov, declarou que Moscou está pronta para enviar fertilizantes ao Sul Global, mas com a condição de que os países que os recebam apoiem o desenvolvimento de agrupamentos liderados pela Rússia.

Essa estratégia não é nova para a Rússia, que durante a pandemia de covid-19 transformou o acesso à sua vacina Sputnik V em uma ferramenta de negociação, oferecendo doses a países do Sul Global em troca de acordos econômicos ou alinhamento político. Embora a diplomacia da vacina tenha encontrado resistência devido a questões de qualidade e transparência, a Rússia agora aplica uma abordagem semelhante com os fertilizantes.

Limitações e Pressão sobre o Ocidente

No entanto, a Rússia enfrenta limitações significativas em sua capacidade de aumentar as exportações de fertilizantes. O oleoduto Togliatti–Odessa, que transporta amônia, permanece fora de operação desde 2022 devido a danos sofridos em áreas de combate ativo na Ucrânia. Além disso, ataques de drones ucranianos frequentemente atingem fábricas de fertilizantes russas, reduzindo a capacidade de produção.

A “diplomacia dos fertilizantes” da Rússia também mira os Estados Unidos e a Europa, com o objetivo de obter alívio nas sanções econômicas. A suspensão de sanções contra fabricantes bielorrussos de potássio pelos EUA pode ser um exemplo de como essa estratégia está dando frutos. A União Europeia pode enfrentar pressão semelhante, especialmente com a questão do cádmio nos fertilizantes, o que poderia levar a uma flexibilização das restrições sobre fertilizantes russos.

Em resumo, a Rússia está utilizando a crise em Ormuz para exercer pressão e angariar apoio, aproveitando sua posição como maior exportador de fertilizantes do mundo. Embora enfrentando limitações, a estratégia da Rússia parece estar dando resultados, especialmente em sua tentativa de dividir os europeus e obter alívio nas sanções ocidentais.

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