Rivais Mantêm “Pacto de Silêncio” e Evitam Explorar Operação Contra Jaques Wagner
A recente operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner, que busca a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), não foi explorada publicamente pelo grupo político de ACM Neto (União Brasil), principal rival do PT na Bahia. Isso ocorre devido a um acordo nos bastidores entre petistas e o grupo do ex-prefeito de Salvador para deixar o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro fora da disputa eleitoral estadual deste ano.
Jaques Wagner é alvo de investigações que apuram se ele agiu em prol dos interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de “vantagens indevidas”. A PF suspeita da atuação do senador em projetos importantes para a instituição financeira, como a “emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em troca, o senador recebia benefícios, como aeronave à disposição, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador.
Reações dos Rival
ACM Neto evitou o tema nas redes sociais e, questionado por jornalistas, afirmou que a questão cabe ao Judiciário e que espera uma investigação completa e isenta. Já o ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, repercutiu a operação nas redes sociais, classificando a investigação como “muito grave” e defendendo que as investigações sejam conduzidas com independência e respeito ao devido processo legal.
Roma também criticou a postura do líder do governo no Senado em relação ao tema, afirmando que o assunto merece ser tratado com seriedade. A campanha de ACM Neto foi impactada pelo caso Master após documentos entregues pelo banqueiro à Receita Federal apontarem o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025.
Consequências e Perspectivas
O PT terá o governador Jerônimo como candidato à reeleição, enfrentando ACM Neto em uma reedição da apertada disputa de 2022. A pesquisa Genial/Quaest mais recente, de abril, mostrou um empate técnico entre os dois. Já a disputa pelas duas cadeiras do Senado tem o ex-governador Rui Costa e Wagner no lado petista contra Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos) na direita.
A PF apontou relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A parceria entre o PT da Bahia e o empresário remete ao governo Rui Costa, quando ele privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado para servidores e aposentados.
- A operação da PF mirou o senador Jaques Wagner, que busca a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
- O grupo político de ACM Neto (União Brasil) optou por não explorar publicamente a operação.
- A campanha de ACM Neto foi impactada pelo caso Master após documentos entregues pelo banqueiro à Receita Federal.
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