Resistência de Haddad e Alckmin em Candidatura Reflete Mau Desempenho do PT em SP
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin resistem a encabeçar a disputa pelo governo de São Paulo nas eleições de outubro, apesar da pressão do presidente Lula para consolidar um palanque forte no maior colégio eleitoral do país.
A postura de Haddad e Alckmin reflete não apenas o desgaste de derrotas anteriores, mas também o histórico da esquerda no estado, gerado tanto pelo encolhimento do PT quanto pela ascensão da direita, sobretudo no interior. Hoje, Haddad é considerado o nome ideal para disputar com Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição.
Os petistas lembram que os 44,73% de votos válidos que Haddad conseguiu em 2022 contra o atual governador o credenciam, mas ele resiste à empreitada devido às suas três derrotas consecutivas. Alckmin também não mostra interesse em disputar eleições, e seu partido já disse a Lula que a prioridade é mantê-lo na chapa como vice.
Desafios do PT em São Paulo
O desânimo de ambos ocorre num momento em que a esquerda tem registrado desempenho fraco em São Paulo nas disputas ao Palácio dos Bandeirantes e em pleitos municipais. Desde a redemocratização, o PT só foi para o segundo turno em eleições para governo estadual duas vezes: uma em 2002, com José Genoíno, e a outra em 2022.
A falta de força do PT em solo paulista tem incomodado Lula, que cobrou publicamente o partido na semana passada, durante evento de comemoração de 46 anos da sigla. O partido, que nasceu no ABC e cresceu na Região Metropolitana, tendo inclusive eleito prefeitos na capital por três vezes, foi se enfraquecendo após o impeachment de Dilma Rousseff e a operação Lava-Jato.
Em 2024, o PT amargou o seu pior resultado em disputas municipais, elegendo apenas quatro prefeitos em cidades pequenas, mesmo com Lula governando o país. O saldo foi pior até mesmo do que o de 2016 e 2020, quando o partido estava no auge de sua crise após a Lava-Jato e a prisão do presidente.
Opinião de Especialistas
Jairo Nicolau, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, afirma que o partido não pode menosprezar a importância de São Paulo na eleição presidencial, mas que o seu histórico traz desafios.
Para petistas, Haddad é o candidato ideal para disputar com Tarcísio de Freitas, justamente por ter “chegado muito perto” na eleição passada. No entanto, a falta de força do PT em São Paulo é um desafio significativo para a esquerda.
Alckmin é visto como um ator essencial para garantir votos para o presidente e para o candidato a governador da esquerda no interior do estado, que historicamente se alinha mais à direita.
- O PT se preocupa com a falta de puxadores de votos no Legislativo.
- Integrantes da sigla admitem que as maiores votações na esquerda devem ficar para o PSOL.
- O Senado é considerado uma prioridade para o PT, com opções de apoiar as ministras Simone Tebet e Marina Silva.
Para o deputado Emídio de Souza, um palanque com nomes fortes é indispensável para a vitória de Lula. O peso de São Paulo é muito grande, e o estado tem 22% do eleitorado nacional, o que desequilibra uma eleição.
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