Renda Real em Alta Sustenta o Consumo das Famílias em 2025
O cenário macroeconômico brasileiro apresentou uma melhora significativa em 2025, com avanço do emprego e ganhos reais de renda, o que ajudou a sustentar o consumo das famílias ao longo do ano. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares cresceu 3,68% no último ano, resultado muito próximo ao registrado em 2024, quando subiu 3,72%.
Essa expansão ocorreu em um ambiente ainda marcado por juros elevados, mas compensado pelo mercado de trabalho aquecido, inflação de alimentos mais controlada e mais recursos na economia. O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, destacou que a combinação desses fatores deu mais previsibilidade ao consumo, especialmente no último trimestre do ano.
Fatores que Influenciaram o Consumo
- A renda real em alta e a acomodação dos preços dos alimentos ajudaram a reduzir oscilações e sustentaram o consumo.
- A taxa de desemprego recuou ao longo do ano, encerrando o trimestre até novembro em 5,8%.
- A inflação dos alimentos perdeu força, com variação de preços de 35 produtos de largo consumo que fechou 2025 com alta acumulada de apenas 0,73%.
Além disso, o pagamento do 13º salário, transferências sociais e maior circulação de renda também contribuíram para o aumento do consumo em dezembro. Foram injetados R$ 48 bilhões a mais na economia por meio do 13º salário, além de R$ 12,74 bilhões vindos do Bolsa Família e R$ 485,87 milhões transferidos pelo programa Auxílio Gás.
Perspectiva para 2026
Para 2026, a Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo das famílias, sustentado por novos impulsos à renda, limitado apenas pelo ambiente financeiro ainda restritivo. Entre os fatores positivos estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o reajuste real do salário-mínimo para R$ 1.621, e a manutenção de programas de transferência de renda.
No entanto, a taxa Selic elevada mantém o crédito mais seletivo e impõe cautela às decisões de consumo, funcionando como um freio a uma aceleração mais intensa. Além disso, riscos externos como desaceleração global, câmbio e clima permanecem no radar.
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