Recuo de 0,67% na ‘prévia do PIB’ em março
O recuo de 0,67% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em março aponta que a restrição dos juros altos está desacelerando a economia aos poucos. Embora a atividade se mostre bastante resiliente, com um avanço de 1,3% no primeiro trimestre, o resultado de março veio mais fraco do que o esperado.
De acordo com os especialistas, a economia brasileira começou a perder fôlego no fim do primeiro trimestre. O Goldman Sachs vê a economia nacional enfrentando forças opostas, com a atividade sendo aquecida por transferências fiscais do governo a famílias de baixa renda e pelo mercado de trabalho, mas também sendo mitigada pelas “rígidas condições financeiras e monetárias domésticas”, além da inflação em alta e do alto nível de endividamento das famílias.
Setores que contribuíram para a queda do IBC-Br
A retração no fechamento do trimestre foi um movimento geral, com recuos em todos os setores analisados. Os principais setores que contribuíram para a queda do IBC-Br foram:
- Serviços: -0,8%
- Indústria: -0,2%
- Agropecuária: -0,2%
- Impostos: -0,2%
Leonardo Costa, economista do ASA, avalia que o recuo foi disseminado, com destaque negativo para os serviços, que retraíram 0,79% – o setor representa cerca de 70% da atividade econômica do país.
Expectativas e cautela do Banco Central
O panorama final exige cautela das autoridades monetárias. Para Pablo Spyer, a leitura dos dados feita pelo mercado é ambígua. Se, de um lado, uma atividade mais fraca poderia aliviar a pressão sobre a inflação e abrir espaço para juros menores, de outro, o Boletim Focus trouxe uma leve piora das expectativas inflacionárias.
Segundo os especialistas, a deterioração das expectativas de inflação reduz o espaço para queda de juros. O Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa para preservar sua credibilidade.
Para definir os próximos passos, a atenção se voltará para a composição da inflação. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, adverte que o mercado mostra que a queda dos juros não será linear e que o indicador mais decisivo será a inflação de serviços.
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