Operação contra Produtora de Dark Horse
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraude envolvendo a produtora responsável pelo filme Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação aponta que parte dos recursos destinados a um projeto público de instalação de internet em comunidades periféricas pode ter sido desviada para financiar a produção cinematográfica.
O foco da operação é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade contratada pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) para implantar pontos de Wi-Fi em áreas vulneráveis da capital paulista. A análise do contrato revelou inconsistências, incluindo questionamentos sobre a capacidade técnica da entidade e indícios de pagamentos realizados sem a correspondente execução dos serviços previstos.
Suspeitas de Desvio de Verba Pública
A investigação busca esclarecer se houve transferência indevida de valores originalmente destinados ao programa de conectividade para atividades relacionadas ao filme. Os investigadores apontam que o instituto venceu um chamamento público mesmo sem histórico conhecido na área de telecomunicações, e que a atuação anterior da entidade estaria concentrada em atividades ligadas à realização de feiras literárias e eventos religiosos, sem experiência comprovada em projetos de infraestrutura de internet.
- Os custos do contrato também estão sob questionamento, com valores pagos pela administração municipal superando de forma significativa referências utilizadas por órgãos públicos para serviços semelhantes.
- A execução do projeto também está sob questionamento, com apenas 3,2 mil pontos de acesso à internet entregues, apesar de o contrato prever a instalação de 5 mil pontos.
- Os investigadores apuram se os aditivos contratuais foram utilizados para encobrir atrasos ou descumprimentos das obrigações assumidas pela entidade.
A operação também envolve os desembolsos realizados pela administração municipal, com indícios de antecipação de aproximadamente R$ 26 milhões sem que houvesse comprovação da entrega integral dos serviços contratados. A Polícia Civil aponta que documentos analisados indicam que repasses teriam sido feitos considerando milhares de pontos em funcionamento quando apenas uma quantidade reduzida estaria efetivamente operando naquele período.
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