O Japão: Um Mercado em Renovação
Depois de décadas sendo lembrado como o país das “décadas perdidas”, o Japão está novamente no centro das atenções do capital global. A combinação de reformas de governança, câmbio desvalorizado e normalização gradual da política monetária tem reacendido o interesse por um mercado que já foi sinônimo de euforia e hoje começa a ser visto como uma grande história de reprecificação.
Segundo Lucas Collazo, apresentador do Stock Pickers, “o investidor olha para o mundo em busca de diversificação e encontra no Japão um mercado grande, líquido e que passou anos barato demais”. Isso não se trata de um novo milagre econômico, mas sim de uma mudança estrutural que reduz riscos e abre espaço para um re-rating.
Um Passado de Glória e Estagnação
Nos anos 80, o Japão concentrava cerca de 45% do valor de mercado global em ações, com Tóquio sendo o epicentro financeiro do planeta. No entanto, após o estouro da bolha de ativos, o país entrou em um período de estagnação, conhecido como as “décadas perdidas”, marcado por crescimento fraco, inflação baixa e políticas monetárias extremas.
A demografia agravou o quadro, com o rápido envelhecimento da população reduzindo o consumo, aumentando gastos públicos e limitando o potencial de crescimento. Para o investidor estrangeiro, o Japão passou a ser visto como uma armadilha de valor: grande, líquido, mas sem catalisadores.
Reformas e Mudanças
A virada começou de forma silenciosa, com reformas de governança corporativa ganhando força na década passada. Em 2023, a Bolsa de Tóquio passou a pressionar explicitamente as empresas a focarem em custo de capital e retorno ao acionista, incentivando dividendos, recompras e a venda de ativos não estratégicos.
Além disso, o Banco do Japão encerrou oficialmente a era dos juros negativos em 2024, sinalizando uma normalização gradual. O iene permanece fraco, favorecendo exportadores e aumentando lucros em moeda local, o que torna os ativos japoneses ainda mais atrativos para investidores estrangeiros.
Essa combinação de governança em melhora, múltiplos descontados e câmbio competitivo cria, segundo analistas, uma das histórias mais claras de reprecificação entre os grandes mercados globais.
O Japão no Novo Mapa do Capital Global
O retorno do Japão ao radar ocorre em um contexto de busca por diversificação fora dos Estados Unidos, onde os valuations estão elevados e os déficits fiscais aumentam. Gestores globais procuram mercados com escala, liquidez e potencial de re-rating — características que o Japão reúne como poucos.
Segundo Collazo, “o país volta a ser relevante não por euforia, mas por estrutura”. É o mercado aceitando pagar mais por ativos que ficaram baratos por tempo demais porque o risco estrutural diminuiu. O Japão, que já foi o coração do capital global e depois o símbolo máximo da estagnação, tenta agora escrever um novo capítulo: o de um mercado maduro que, após três décadas de ajustes, volta a ser visto como uma peça central na alocação global.
- O Japão está novamente no centro das atenções do capital global.
- A combinação de reformas de governança, câmbio desvalorizado e normalização gradual da política monetária tem reacendido o interesse por um mercado que já foi sinônimo de euforia.
- O país tenta agora escrever um novo capítulo: o de um mercado maduro que, após três décadas de ajustes, volta a ser visto como uma peça central na alocação global.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link