Acordo entre Mercosul e União Europeia: Riscos e Perspectivas
O governo brasileiro está preocupado com a possibilidade de a União Europeia (UE) recuar na assinatura do acordo comercial com o Mercosul, negociado há 25 anos. A semana que vem será decisiva, com votações no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu.
O acordo cria uma área de livre-comércio entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia) e a UE, com reduções recíprocas de tarifas sobre importações e exportações. Se entrar em vigor, formará uma das maiores zonas comerciais globais, com 718 milhões de habitantes e um PIB combinado de US$ 22 trilhões.
Resistências na Europa
Há oposições na UE, lideradas pela França e Polônia, que temem concorrência de produtos agropecuários sul-americanos para seus agricultores. Países como Alemanha, Espanha, Portugal e República Checa apoiam o texto. A Itália é considerada o “fiel da balança” e sua rejeição, somada à França e Polônia, inviabilizaria o quorum.
Para contornar as resistências, negociadores europeus aprovaram salvaguardas agrícolas no Comitê de Comércio Internacional da UE. Essas medidas permitem suspender benefícios tarifários se as exportações do Mercosul subirem 5% em relação ao ano anterior.
Visão do Planalto
O governo brasileiro critica a UE por aceitar um acordo “assimétrico” com os EUA, enquanto hesita em um tratado equilibrado com o Mercosul. O Brasil já está intensificando parcerias na Ásia, com a China comprando US$ 94 bilhões em produtos brasileiros em 2025, mais que o dobro dos US$ 45 bilhões da UE.
Se o acordo fracassar, o Brasil intensificaria parcerias na região, concluem as fontes ouvidas. A guinada asiática já está em curso, e o Brasil está preparado para buscar novas oportunidades de comércio e cooperação.
- O acordo entre Mercosul e União Europeia é uma das maiores zonas comerciais globais.
- A UE tem resistências, lideradas pela França e Polônia.
- A Itália é considerada o “fiel da balança” na votação.
- O Brasil está preparado para buscar novas oportunidades de comércio e cooperação na Ásia.
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