PF Investiga Negociação de Imóvel de Luxo para Jaques Wagner
A Polícia Federal (PF) concluiu que as negociações para a aquisição de um apartamento de luxo destinado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) continuaram mesmo após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. O relatório da PF, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que os envolvidos adotaram novas estratégias para dar continuidade às tratativas e dificultar a identificação do negócio pela PF.
O imóvel em questão é um apartamento de 245 metros quadrados, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro Horto Florestal, em Salvador. As investigações mostram que as conversas envolveram Jaques Wagner, Augusto Lima, apontado como ex-braço direito de Daniel Vorcaro no Banco Master, e o advogado Daniel Monteiro, identificado pela PF como operador financeiro responsável por estruturar vantagens indevidas a autoridades.
- As negociações prosseguiram por meio de Guilherme Sodré, Daniel Lopes Monteiro e Davi Lopes Monteiro.
- Os investigadores afirmam que as alterações contratuais tinham como objetivo dificultar a identificação da real destinação do apartamento.
- A PF descreve que o imóvel foi adquirido por meio de uma estrutura formada por fundos de investimento ligados ao Banco Master, à gestora Reag, além de empresas e pessoas físicas associadas a Daniel Monteiro e outros.
Para a PF, Daniel Monteiro e Valério Marega atuavam na criação de estruturas financeiras destinadas a ocultar operações ilícitas. O relatório sustenta que havia “aparente intenção de dissociar a real titularidade do imóvel”, apontando que a condução das negociações e a participação de terceiros na formalização dos documentos indicariam uma tentativa de ocultar a vinculação do apartamento ao senador Jaques Wagner.
A investigação aponta para a existência de uma cadeia de fundos e estruturas financeiras complexas, criadas para ocultar a verdadeira natureza das transações. A PF afirma que as evidências coletadas demonstram que as tratativas sobre o imóvel prosseguiram mesmo após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
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