Petróleo Sancionado e Encalhado no Mar Cria Escassez em Terra
O mercado de petróleo está enfrentando uma situação peculiar, onde o excesso de oferta não está sendo refletido nos preços. De acordo com o Goldman Sachs, o petróleo sancionado acumulado no mar está distorcendo o equilíbrio global entre oferta e preços, sustentando o preço do Brent mesmo diante de um superávit expressivo.
O banco estima que, em 2025, o mercado global teve um excedente de 1,5 milhão de barris por dia. No entanto, ao contrário do que seria esperado, os preços não recuaram de forma consistente. A explicação está no local onde o petróleo está sendo estocado. “Grande parte desse superávit não chegou aos centros de precificação; está preso no mar”, aponta o documento.
Os estoques terrestres da OCDE, os indicadores mais relevantes para a formação de preços, permanecem praticamente estáveis. Enquanto isso, Rússia, Irã e Venezuela acumulam hoje 375 milhões de barris de petróleo sancionado em navios, um salto de 130 milhões em 12 meses. Esse volume representa cerca de um terço de todo o aumento dos estoques globais visíveis no período.
- Rússia: 160 milhões de barris acumulados
- Irã: 160 milhões de barris acumulados
- Venezuela: estoques flutuantes diminuindo graças ao aumento das importações autorizadas
Para 2026, o Goldman Sachs prevê que o acúmulo no mar deve perder força, representando 21% dos estoques adicionais globais, ante 47% em 2025. No entanto, o banco alerta para riscos significativos, incluindo pressões geopolíticas, mudanças na postura da China e da Índia e eventuais negociações envolvendo Rússia e Irã.
O relatório também apresenta estimativas claras para o impacto nos preços. Caso 1 milhão de barris por dia de petróleo sancionados permaneçam no mar durante um ano, o Brent pode subir até US$ 8. Por outro lado, uma redução de 100 milhões de barris nos estoques marítimos, impulsionada por eventuais alívios de sanções, poderia derrubar os preços entre US$ 3 e US$ 4.
Assim, o petróleo no mar está criando uma “escassez artificial” em terra, sustentando preços que normalmente cairiam diante do excesso de oferta. A evolução das tensões geopolíticas será decisiva para definir se esse petróleo continuará navegando sem destino.
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