Petróleo: O que é a “zona vermelha” que motivou o alerta da AIE sobre preços da commodity?
O mercado global de petróleo pode entrar em uma “zona vermelha” entre julho e agosto, de acordo com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. Isso ocorre devido à combinação entre o pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte, a interrupção das exportações do Oriente Médio e a redução dos estoques globais.
Birol afirmou que “podemos estar entrando na zona vermelha em julho ou agosto se não houver melhora na situação”, em referência à crise energética provocada pela guerra envolvendo o Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. Atualmente, o Brent, referência global, é negociado em torno de US$ 104 a US$ 105 o barril, depois de ter rondado US$ 72 apenas uma semana antes do início da guerra.
O que é a “zona vermelha”?
A “zona vermelha” descreve um cenário em que os estoques e reservas foram consumidos a tal ponto que qualquer interrupção adicional na oferta tem potencial para gerar falta de produto e novos aumentos de preços. A liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas ajudou a amortecer o choque recente, mas não foi suficiente para recompor a folga do sistema, e essas reservas agora estão próximas da exaustão.
Birol alerta que, se esse limite for rompido, os impactos mais severos devem recair sobre países mais pobres, especialmente na África e no sudeste asiático, com efeitos em cadeia que podem incluir até risco de escassez de alimentos.
Por que o alerta de “zona vermelha” agora?
A Agência Internacional de Energia (AIE) já vinha falando em “a mais severa interrupção” de oferta da história. Em abril, o diretor Fatih Birol afirmou à CNBC: “Estamos enfrentando a maior ameaça à segurança energética da história”. Agora, o tom de alerta subiu mais um degrau.
Um dos fatores é a chegada das férias de verão no hemisfério norte, período de pico de viagens. Isso pressiona a demanda por combustíveis e já se reflete na alta do querosene de aviação, enquanto companhias aéreas tentam segurar tarifas em um ambiente de custos crescentes.
Os principais motivos para o alerta de “zona vermelha” incluem:
- A interrupção das exportações do Oriente Médio;
- A redução dos estoques globais;
- O pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte.
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