Petrobras destitui diretor de área que vendeu gás com 100% de ágio
A Petrobras anunciou a destituição do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, após reunião do Conselho de Administração da estatal de petróleo. A decisão foi tomada após o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) ter sido realizado com um ágio de mais de 100%, ou seja, o combustível foi vendido para distribuidoras por mais que o dobro do preço de tabela.
O leilão foi realizado na última terça-feira (31) e gerou críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o leilão como “cretinice, bandidagem” e mencionou o interesse de anular a venda. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou uma fiscalização em refinarias da Petrobras para apurar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão de gás de cozinha.
Contexto do leilão
O leilão foi realizado em um cenário de escalada internacional do preço do petróleo e de derivados por causa da guerra no Irã, que levou distúrbios à cadeia produtiva da matéria-prima, ameaçando o produto de escassez. No mesmo tempo, o governo estudava meios para suavizar os efeitos da alta do petróleo e derivados.
A diretoria ocupada por Schlosser é uma das oito que ficam sob o guarda-chuva da presidente da estatal, Magda Chambriard. Entre as atribuições da diretoria está decidir para quem e por quanto a Petrobras vende seus produtos. A estatal informou que a então diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, assume a diretoria de Logística, Comercialização e Mercados.
Consequências e mudanças
A destituição de Schlosser ocorreu no mesmo dia em que o governo anunciou medidas que incluem zeragem de impostos e subsídios para o diesel e gás de cozinha. Além disso, o Conselho de Administração da Petrobras elegeu Marcelo Weick Pogliese como presidente do colegiado até a próxima assembleia-geral.
- A Petrobras informou que a indicação do nome do atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Santos Mello, para o posto de presidente do conselho será submetida à análise dos requisitos legais de gestão e integridade pertinentes.
- Mello tem doutorado em ciência econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp (IE-Unicamp).
- Ele também pertence a dois conselhos de administração de empresas públicas: presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e integrante do Conselho de Administração Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. – Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
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