Payroll de abril reforça mensagem de cautela do Fed; inflação ganha importância
Os dados do payroll de abril divulgados pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostraram uma geração de 115 mil vagas no mês, acima das projeções, e uma taxa de desemprego estável em 4,3%. Esses números devem reforçar os argumentos de um Federal Reserve cauteloso na definição dos juros das próximas reuniões do Fomc.
De acordo com os economistas, a atenção agora se volta para a inflação do consumidor (CPI) em abril, que será divulgada na próxima semana. O cenário para a taxa de juros segue sendo de manutenção este ano, mas os riscos para a inflação decorrentes do prolongamento do conflito no Oriente Médio aumentam a probabilidade de alta de juros.
- A geração de vagas no mês veio acima das projeções, embora as revisões de fevereiro e março tenham levado a uma desaceleração na média móvel trimestral.
- A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%.
- O foco do banco central se desloca para o monitoramento da inflação, especialmente no que diz respeito aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os índices de preços, combustíveis e energia.
A visão dos economistas é de que o Fed manterá a taxa de juros no patamar atual pelo menos até o final do ano. Uma eventual melhora ou encerramento do conflito no Oriente Médio poderia abrir espaço para um corte no final de 2026, mas há muitas variáveis a serem resolvidas até lá.
O resultado de abril superou as expectativas, mas a leitura segue consistente com a tese de mercado de trabalho em equilíbrio de baixas contratações e baixas demissões. A maior disseminação setorial, o retorno dos cíclicos ao terreno positivo e a recuperação dos serviços temporários retiram força da narrativa de deterioração iminente.
Para o Fed, o ponto mais relevante deve ser a desaceleração dos salários, que dá ao Fomc espaço para manter a postura cautelosa nas próximas reuniões. O debate começa a migrar de “quando cortar” para “precisará subir?”. O CPI da semana que vem vai dar o próximo sinal.
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