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Pais “infantilizados” e filhos “adultizados”: o paradoxo das redes sociais

A restrição ao uso de redes sociais por adolescentes é um debate global que tem motivado preocupações com o desenvolvimento comportamental e a integridade psicológica dos jovens. De acordo com Luiza Sassi, diretora-geral do Instituto GayLussac, “existe toda uma geração que foi formada e educada também pelas redes sociais”, o que tem gerado impactos profundos na saúde mental e na formação de caráter.

Um exemplo disso é o impacto do smartphone na socialização escolar. O Instituto GayLussac adotou políticas de restrição aos aparelhos celulares em 2005, com o objetivo de promover a interação presencial entre os estudantes. No entanto, em outubro de 2021, a gestão observou que os estudantes estavam compartilhando a mesma mesa no intervalo, mas se comunicando exclusivamente por aplicativos.

Essa situação motivou a suspensão completa dos dispositivos em todos os espaços da instituição a partir do ano letivo de 2022. A transição ocorreu com o apoio das famílias e sem resistência dos alunos, que passaram a ocupar os períodos de recreio com conversas presenciais e jogos.

Segundo Sassi, leis e proibições restritas ao ambiente escolar possuem alcance limitado diante da jornada diária dos jovens fora da escola. Além disso, a idade mínima recomendada para o primeiro contato com redes sociais deve ser de 14 anos, e os mecanismos de controle parental vigentes mostram-se insuficientes.

  • A exposição precoce interfere diretamente na capacidade cognitiva e na empatia das crianças.
  • Relatórios práticos da instituição indicam que manifestações de hostilidade e isolamento social têm surgido em faixas etárias precoces devido ao consumo de conteúdos inadequados.
  • Entre adolescentes, o ambiente digital correlaciona-se com o aumento de pressões estéticas comparativas e quadros de ansiedade.

Para reverter esses indicadores, os responsáveis precisam assumir o papel de mediadores firmes. Sassi finaliza apontando a necessidade de um posicionamento mais claro por parte das famílias: “Os pais precisam ser adultos. Porque tem sido muito comum a gente dizer que as redes sociais, a tecnologia, tem feito uma adultização das crianças. Por outro lado, eu também observo uma infantilização dos pais”.

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