Transformação Silenciosa nos CFOs
O cargo de diretor financeiro (CFO) passou por uma transformação significativa nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa global da consultoria Russell Reynolds Associates, os CFOs vivem hoje o período de maior rotatividade da história recente, impulsionados por um cargo que passou a reunir responsabilidades muito além das finanças.
Essa mudança é evidenciada por números: cerca de 40% das posições de CFO mudaram de ocupante no Brasil, enquanto o tempo médio de permanência na função caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos. Além disso, 70% dos diretores financeiros brasileiros permanecem menos de cinco anos no cargo, e apenas 12% ultrapassam uma década na função.
Novas Responsabilidades
Os CFOs passaram a ser cobrados não apenas pelos resultados do balanço, mas também pela capacidade de liderar mudanças organizacionais, apoiar decisões estratégicas e participar da definição do futuro do negócio. Isso inclui responsabilidades como:
- Estratégia
- Transformação digital
- Relacionamento com conselhos de administração
- Comunicação com investidores
Essa transformação ajuda a explicar a preferência por executivos que já ocuparam anteriormente a função. No Brasil, 65% dos novos CFOs nomeados já possuíam experiência prévia no cargo, evidenciando que conselhos de administração estão reduzindo o espaço para curvas longas de aprendizado.
Desafios e Oportunidades
A mudança ocorre justamente em um momento em que outras pesquisas apontam uma redefinição do papel da alta liderança. A inteligência artificial deixou de ser uma pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a ocupar espaço nas decisões dos CEOs. Além disso, a participação feminina entre os novos CFOs caiu em 2025, e apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado são mulheres.
No entanto, a função financeira continua sendo uma das principais portas de entrada para o comando das empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO, reforçando o papel estratégico da posição na formação das futuras lideranças corporativas.
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