Os 50 Anos do Show do Quarteto ‘Doces Bárbaros’ Inspiraram um Tributo no Rio
No contexto social de junho de 1976, o Brasil vivia sob uma ditadura sanguinária, e a formação do grupo Doces Bárbaros simbolizou um ato político ao pregar o afeto e a liberdade como armas pacíficas de resistência à repressão.
Cinquenta anos depois, o país respira ares democráticos, mas ameaças às liberdades individuais e coletivas ainda persistem, justificando a existência de um show-tributo como “Nosso amor aos Doces Bárbaros”.
O show, realizado no clube carioca Manouche, apresentou um quarteto formado por Guilherme Borges, Maíra, Simone Mazzer e Verônica Bonfim, que interpretaram as 17 músicas do álbum “Doces Bárbaros” de 1976, sem se prender à ordem do disco e sem tentar copiar o grupo baiano.
O quarteto de 2026 reproduziu gestos e signos do quarteto de 1976 em cena, mas com organização própria e com espírito coletivo de liberdade, manifestado tanto nos figurinos dos artistas quanto nos movimentos e nas demonstrações de afetos entre os artistas.
Algumas das músicas apresentadas incluíram “Eu te amo”, “Fé cega, faca amolada” e “Os mais doces bárbaros”, que foram interpretadas com energia e alto astral, libertando o quarteto de 2026 das comparações com as interpretações soberanas do grupo de 1976.
Entre os destaques do show, podemos citar:
- A interpretação de “Um índio” por Simone Mazzer, que fez do número um dos pontos altos do show;
- O canto de “Esotérico” com Guilherme Borges, Maíra e Verônica Bonfim sentados no palco;
- O solo de Verônica Bonfim ao violão em “O seu amor”.
O show terminou com o hasteamento de uma bandeira com as cores do Brasil na qual se lia “Livre para amar”, corroborando as ótimas intenções do quarteto de 2026 em sintonia com o início da apresentação.
Em essência, o quarteto conseguiu evocar o clima de desbunde e contracultura que pautou a reunião dos Doces Bárbaros, sem cair na tentação de tentar reproduzir o irreproduzível.
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