Onda de Calor na Europa: Oportunidade para Fabricantes Chinesas de Ar-Condicionado
A recente onda de calor que atingiu a Europa no fim de junho trouxe um efeito positivo inesperado para as grandes fabricantes chinesas de eletrodomésticos. Com recordes de temperatura sendo registrados em diversos países europeus, os consumidores têm recorrido cada vez mais aos aparelhos portáteis de ar-condicionado como uma alternativa rápida para amenizar o calor dentro de casa.
Empresas como Midea Group, Haier Smart Home e Gree Electric Appliances são as principais beneficiadas por essa tendência. Elas ampliaram sua presença no mercado europeu com modelos portáteis, que oferecem instalação mais simples e preços mais acessíveis do que os sistemas split tradicionais. Segundo Jeff Zhang, analista da Morningstar, a forte demanda por aparelhos de janela e modelos portáteis deve sustentar um crescimento das exportações das fabricantes chinesas durante os meses de verão no hemisfério norte.
Expectativas de Crescimento
A expectativa é que o aumento nas vendas contribua de forma significativa para os resultados do segundo e do terceiro trimestre. A Midea, por exemplo, pode registrar crescimento superior a 20% nas vendas de aparelhos de ar-condicionado para consumidores europeus no segundo trimestre, de acordo com estimativas do Citi. Já a Haier Smart Home também pode apresentar expansão de dois dígitos em sua divisão europeia de ar-condicionado ao longo de 2026.
Alguns dos motivos que impulsionam o crescimento dessas empresas incluem:
- Demanda por aparelhos portáteis de ar-condicionado em razão da onda de calor;
- Preços competitivos e menor custo de instalação em comparação com sistemas split tradicionais;
- Expansão da presença no mercado europeu por parte das fabricantes chinesas.
No entanto, apesar do impulso vindo da Europa, analistas avaliam que o desempenho dificilmente compensará integralmente a desaceleração do mercado doméstico chinês. A China segue sendo a principal fonte de receitas para essas fabricantes, que enfrentam desafios como consumo enfraquecido, redução de subsídios governamentais e aumento dos custos de matérias-primas.
O potencial de crescimento na Europa, contudo, segue elevado. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que apenas cerca de 20% das residências europeias possuem sistemas de ar-condicionado, o que abre espaço para a expansão do mercado, especialmente em um cenário de temperaturas cada vez mais elevadas.
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