O que se sabe sobre a venda do TikTok para a Oracle nos EUA
A consolidação da venda da empresa que controla a plataforma TikTok nos Estados Unidos está prestes a se consolidar. A operação foi realizada sob forte pressão do governo dos Estados Unidos e remete ao primeiro mandato de Trump. O governo chinês se posicionou assumindo o negócio como uma forma de manter as boas relações comerciais.
Na prática, o poder de decisão e o controle de dados sai da mão dos chineses – que ainda terão 20% de participação – e passa para empresas alinhadas com o governo Trump e aliados, como o fundo MGX, da família real dos Emirados Árabes Unidos, e a Oracle, empresa dos Estados Unidos que gerenciará o armazenamento de dados.
A transação é estimada em US$ 14 bilhões, segundo o vice-presidente estadunidense, James Vance. O TikTok é a quarta maior plataforma dos Estados Unidos, com cerca de 170 milhões de usuários.
Implicações da venda
A venda do TikTok para a Oracle nos EUA pode ter implicações significativas para a plataforma e seus usuários. Andressa Michelotti, especialista em regulação e desinformação, avalia que o jogo de poder não está apenas no controle dos dados, mas também na forma como a nova empresa irá lidar com a transparência.
Alguns pontos a serem considerados incluem:
- A mudança na arquitetura da plataforma e sua possível nacionalização;
- A forma como os dados de usuários dos Estados Unidos serão acessados em servidores fora de seu território;
- A possibilidade de uma balcanização (isolamento em plataformas locais) da plataforma;
- A importância da transparência na gestão da plataforma.
Implicações para o Brasil
Segundo a ByteDance, a mudança nos Estados Unidos não vai alterar os planos e ações da empresa em outros países, inclusive o Brasil. No entanto, o caso evidencia a importância de reflexão sobre soberania tecnológica, digital e política no Brasil.
Rafael Evangelista, professor do Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural da Unicamp, acredita que a discussão passa menos por medidas extremas e mais pela reflexão sobre a importância de diálogo entre o Estado e empresas que controlam infraestruturas estratégicas de comunicação.
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