O que é Necromancia Digital e por que prática divide tanto opiniões
A necromancia digital é o termo usado para descrever a recriação da aparência ou da voz de pessoas mortas usando inteligência artificial. Essa prática ganha espaço com o fácil acesso aos serviços de IA de imagens e vídeos, mas também é o centro de dilemas éticos e sobre o processo de luto.
As redes sociais estão repletas de vídeos virais com celebridades falecidas fazendo tarefas comuns, como assistir a um jogo de futebol e publicações que envolvem a pessoa no “pós-vida”. No entanto, a maioria dos posts nas redes não envolve consentimento da família das pessoas, além de abrir brechas jurídicas sobre quem tem os direitos sobre a imagem e a aparência de falecidos.
Necromancia digital e os limites éticos da IA
Os exemplos mencionados são de pessoas famosas, mas a prática pode se estender para praticamente qualquer pessoa falecida que tenha imagens na web. Os geradores de imagens conseguem criar arquivos a partir de uma foto original, mantendo toda a fisionomia das pessoas. No caso dos vídeos, a experiência pode ficar ainda mais fiel com o uso de ferramentas que clonam a voz de alguém a partir de um pequeno trecho.
A reação de cada pessoa a um conteúdo do tipo pode variar com respostas positivas ou negativas, mas a prática em si já esbarra no limite ético sobre o consentimento e até onde a imagem pode ser usada. O coordenador do Curso Superior de Tecnologia em IA do UniSenac, Victor Hugo Lopes, destaca que a principal questão ética é o consentimento e que a tecnologia, por si só, não é o problema, o problema é como ela é usada.
- É possível colocar freios, mas eles dependem muito mais de legislação e governança do que da tecnologia em si.
- Regras sobre consentimento, transparência, identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e responsabilização de empresas serão fundamentais.
Impacto no luto
Um dos pontos de discussão sobre a necromancia digital é o impacto no luto. A IA é usada como um meio para criar um cenário que não existe, mas simular como se fosse algo real. A psicóloga Cristiane Belmonte explica que há um risco de transformar um recurso tecnológico em um mecanismo de negação, que é uma reação natural que faz parte do processo após perder uma pessoa próxima.
A tecnologia oferece possibilidades que antes eram inimagináveis, mas precisamos lembrar que ela não pode substituir um processo natural da vida. O luto é doloroso justamente porque precisamos aprender a viver com a ausência e a tecnologia pode atrasar o processo quando impede esse enfrentamento.
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