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Nova IA consegue “cheirar” alérgenos e detectar se a comida está estragada

Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley), com apoio do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), desenvolveu um “nariz eletrônico” equipado com IA que consegue identificar gases liberados por alimentos estragados e detectar alérgenos com precisão superior à do olfato humano em testes de laboratório.

O projeto, liderado pela doutoranda Carla Bassil e pelo professor Ali Javey, do Grupo de Pesquisa Javey, teve os resultados publicados na revista científica Science Advances. O sistema, batizado de ML-SCENT, foi criado para aplicações que vão do monitoramento industrial ao uso doméstico, incluindo uma versão portátil que pode ser controlada por um smartphone através de um aplicativo.

A tecnologia transforma odores em dados digitais para alertar sobre possíveis riscos antes mesmo que eles sejam percebidos pelas pessoas. No futuro, os pesquisadores pretendem integrar o “nariz eletrônico” a geladeiras inteligentes, permitindo que o eletrodoméstico acompanhe o estado de conservação de carnes, laticínios, frutas e vegetais, e envie notificações ao usuário quando algum alimento estiver prestes a estragar.

Como funciona o nariz eletrônico?

O ML-SCENT utiliza uma matriz de 16 sensores de gás reunidos em um chip de aproximadamente 7,5 mm por 7,5 mm. Cada sensor tem uma camada sensível diferente, que consegue reagir a combinações específicas de moléculas voláteis liberadas pelos alimentos. Em vez de identificar apenas um tipo de gás, como ocorre em sensores convencionais, o sistema cria uma espécie de “assinatura química” dos odores.

Os sinais captados pelos sensores são analisados por uma rede neural convolucional (CNN), treinada para reconhecer padrões ligados a alimentos frescos, estragados e a diferentes alérgenos. Nos testes, o sistema alcançou 92,6% de precisão ao classificar 16 tipos de amostras e chegou a 99% de acerto na identificação da deterioração de frango, leite e ovos.

  • O nariz eletrônico usa 16 sensores de gás e inteligência artificial para identificar alimentos estragados e detectar alérgenos.
  • A tecnologia pode ser integrada a geladeiras inteligentes para alertar quando um alimento estiver prestes a estragar.
  • O sistema pode detectar pequenas quantidades de ingredientes potencialmente perigosos, reforçando a segurança de pessoas com alergias alimentares.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores apontam que a tecnologia ainda enfrenta desafios antes de chegar ao mercado. O sistema precisa ser testado em ambientes mais complexos, como geladeiras cheias ou cozinhas com diversos alimentos ao mesmo tempo. Além disso, ainda é necessário validar sua capacidade de identificar alérgenos escondidos em pratos prontos e avaliar como mudanças extremas de umidade podem afetar a precisão das medições.

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