Irregularidades na Gestão do IBGE
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou um pedido de afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Márcio Pochmann, devido a suspeitas de irregularidades na gestão. A denúncia aponta para várias ações questionáveis, incluindo a substituição de servidores carreiristas em cargos técnicos por recém-ingressos e a tentativa de criar a Fundação IBGE+, que funcionaria como uma instituição privada de apoio ao Instituto.
De acordo com a procuradoria, a movimentação de Pochmann revela um “quadro institucional preocupante” na tentativa de criar uma entidade paralela com possível captação de recursos próprios e atuação em áreas sensíveis de produção e tratamento de dados oficiais. Além disso, a criação da Fundação IBGE+ não poderia decorrer de mero ato administrativo da Presidência, segundo o procurador Júlio Marcelo Oliveira.
Preocupações com a Autonomia Técnica e Credibilidade
Outro ponto levantado pelo procurador é que atos da gestão que mudam a metodologia da obtenção de dados poderiam fragilizar a autonomia técnica e credibilidade das informações produzidas pelo IBGE. Isso poderia levar a uma manipulação indevida de parâmetros metodológicos, premissas técnicas ou processos de validação interna, com o objetivo de influenciar resultados conjunturais, configurando uma violação grave aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência.
Os servidores do IBGE também vêm questionando a gestão de Pochmann desde o começo do ano passado, acusando-o de tentar criar um “IBGE paralelo” e de assédio e retaliação após críticas à gestão. Em março do ano passado, técnicos das gerências de Sistematização de Conteúdos Informacionais (GECOI) e de Editoração (GEDI) relataram terem sido transferidos de um prédio da região do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, para um antigo parque gráfico do IBGE em Parada de Lucas, na Avenida Brasil, vizinho a comunidades que formam o Complexo de Israel.
- A substituição de servidores carreiristas em cargos técnicos por recém-ingressos;
- A tentativa de criar a Fundação IBGE+;
- A mudança na metodologia da obtenção de dados que poderia fragilizar a autonomia técnica e credibilidade das informações produzidas pelo IBGE.
Essas ações questionáveis levaram o Ministério Público junto ao TCU a pedir o afastamento do presidente do IBGE, visando proteger a autonomia técnica e credibilidade do Instituto.
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