A Era Milky: O Que Está Por Trás da Obsessão Atual pela Perfumaria Leitosa?
A perfumaria está passando por uma transformação significativa, com a ascensão das notas leitosas como uma das principais tendências olfativas. Essa mudança acompanha uma transformação cultural mais ampla, que valoriza a ideia de autocuidado, maciez e conforto. A busca por experiências sensoriais que transmitam bem-estar e suavidade está levando os consumidores a procurar por fragrâncias que sejam mais táteis, aconchegantes e “skin scents”, ou seja, perfumes que evocam a sensação de pele hidratada e cuidada.
De acordo com Luciana Knobel, vice-presidente de criação de fragrâncias finas para a América Latina na Symrise, o crescimento desse perfil olfativo está ligado à busca do consumidor por experiências sensoriais que transmitam bem-estar, conforto, suavidade e escapismo. “Tudo isso revela um desejo por perfumes mais táteis, aconchegantes e ‘skin scents’, um efeito quase cremoso de pele hidratada e cuidada”, pontua a especialista.
Os Ingredientes por Trás das Notas Leitosas
As notas leitosas podem ser criadas a partir de diferentes construções, incluindo flores brancas, musk e sândalo, que é considerada a madeira mais cremosa da perfumaria. A avaliadora olfativa Alessandra Tucci explica que o resultado é diferente do gourmand tradicional, que dominou os anos 2000 e viveu uma ascensão recente. “A principal diferença está na cremosidade”, justifica Alessandra. “No gourmand clássico, você tem um açúcar caramelizado mais evidente. Agora, estamos vendo uma evolução das vanillas: menos açúcar óbvio e mais textura leitosa”.
Alguns exemplos de fragrâncias leitosas incluem:
- Miu Miu Fleur De Lait, com notas de manga madura, osmanthus e leite de coco
- Noor, de Riiffs Perfumes, com leite, lírio-do-vale e pralinê
- Creamy Pistachio, de Gulf Orchid, com base de baunilha, leite e almíscar
- Virgin Island Water, de Creed, com frutas tropicas e leite de coco
- Éclaire, da Lattafa, que combina o leite com açúcar e caramelo
O Fascínio pelas Notas Leitosas
Além da técnica, existe também um componente emocional e biológico por trás do fascínio pelas notas leitosas. “Nossa biblioteca olfativa é formada pelas experiências que vivemos com os cheiros”, diz Alessandra. “E o cérebro humano costuma registrar essas sensações cremosas como algo positivo”. Estudos científicos recentes identificaram traços de vanilina, composto presente na vanilla, no leite materno, o que pode explicar a preferência por esse tipo de textura sensorial.
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