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Mercado de crédito está mais arriscado, mas há oportunidades, observa gestor da XP

Mercado de Crédito: Riscos e Oportunidades

O mercado de crédito privado brasileiro está mais arriscado do que há alguns anos, mas isso não significa que os investidores devem fugir dele. Pelo contrário, é justamente nesse cenário que aparecem as melhores oportunidades. Marcelo Urbano Dias, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset Management, destaca a importância de selecionar bem os ativos e ter cautela na montagem das carteiras.

Segundo ele, depois de anos de juros baixos, o mercado se acostumou a um cenário mais tranquilo, e agora os problemas de crédito devem aparecer com mais frequência simplesmente porque o volume de operações cresceu muito. No entanto, ele não vê uma questão sistêmica dentro dos portfólios.

Estratégia de Risco

Para explicar como lida com o aumento do risco, Urbano usou uma analogia com caminhadas. Ele compara a situação com a de um gestor de crédito experiente diante de um mercado mais arriscado. A receita, aponta, está em dois pontos principais: cuidado redobrado na entrada das operações e diversificação da carteira.

Ele destaca que errar na escolha inicial de um ativo é o problema mais difícil de corrigir depois. Quando isso acontece, a equipe consegue, na maioria das vezes, recuperar entre 50% e 70% do valor investido, mas raramente recupera tudo.

FIDCs: Oportunidades e Riscos

Um dos pontos centrais da entrevista foi o crescimento acelerado dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Urbano contou que estruturou seu primeiro fundo desse tipo ainda em 2006 e que considera o veículo “sensacional”. No entanto, ele alerta que a indústria cresceu rápido demais e ainda não tem maturidade suficiente para que todos os investidores saibam avaliar corretamente esses produtos.

Ele explica que um erro comum entre investidores é olhar apenas para a valorização da cota subordinada do fundo como sinal de qualidade, sem entender o que está por trás desse número. Em vez disso, é importante olhar o fluxo de caixa real do fundo, entender qual é o critério de seleção usado pelo originador dos créditos e verificar se o gestor de fato confere se as informações declaradas são verdadeiras.

Urbano destaca ainda que fundos com prazos mais curtos podem dar uma falsa sensação de segurança. Como a carteira se renova com grande frequência, um erro do gestor em um único mês pode comprometer todo o fundo.

  • Selecione bem os ativos e tenha cautela na montagem das carteiras.
  • Errar na escolha inicial de um ativo é o problema mais difícil de corrigir depois.
  • Fundos com prazos mais curtos podem dar uma falsa sensação de segurança.

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