MBRF: O Potencial de Destravar R$ 300 Milhões com Sinal Verde para Sadia Halal
A MBRF (MBRF3) fechou a última terça-feira com alta de 4,14% após anunciar a aprovação de todas as autoridades necessárias para formar uma parceria com o fundo soberano da Arábia Saudita no Oriente Médio. Essa parceria visa uma futura oferta de ações (IPO) da Sadia Halal, plataforma de produção e distribuição da companhia na região.
Com a conclusão da operação, a MBRF transferirá para a Sadia Halal suas unidades produtivas localizadas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, as companhias de distribuição na região e o negócio de exportação direta para a região MENA (Oriente Médio e Norte da África). A avaliação do ativo permanece inalterada, com valor da firma de US$ 2,07 bilhões.
A operação gerou US$ 2,1 bilhões em receita e US$ 230 milhões em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) nos últimos doze meses encerrados em junho de 2025. Isso implica um múltiplo EV (valor da empresa)/Ebitda de 9 vezes, um prêmio de 34% em relação ao múltiplo atual de MBRF3.
Detalhes da Operação
- A MBRF deterá inicialmente 90% da Sadia Halal, enquanto a participação da HPDC – Halal Products Development Company – será reduzida de 30% para 10%.
- A HPDC se compromete a elevar sua participação para, no mínimo, 20% até junho de 2027 ou até a realização de um IPO da joint venture.
- A HPDC aportará US$ 97,4 milhões via transações primárias e US$ 170,5 milhões em uma transação secundária, totalizando investimentos incrementais mínimos de US$ 267,9 milhões.
Os analistas do Goldman Sachs e do Bradesco BBI consideram que o negócio deve melhorar a alavancagem consolidada da MBRF de forma modesta e reduzir o lucro líquido e o fluxo de caixa livre devido a um desconto maior atribuível à participação de minoritários.
O Bradesco BBI estima que essa rodada possa destravar cerca de R$ 300 milhões em valor para a MBRF, antes mesmo de eventuais ajustes relacionados à composição distinta de ativos. Além disso, o encurtamento do cronograma para a entrada do capital adicional reforça a leitura de que um IPO local da joint venture pode ser antecipado para o primeiro semestre de 2027.
No entanto, apesar do claro racional estratégico e do potencial de destravamento de valor no longo prazo, os analistas avaliam que ciclos menos favoráveis para proteínas no curto prazo e o valuation relativo mais exigente da MBRF frente a pares seguem limitando o espaço para re-rating imediato.
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