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Maré começa a virar no mercado e Brasil é principal aposta, aponta Bradesco BBI

Maré começa a virar no mercado e Brasil é principal aposta, aponta Bradesco BBI

Após meses de cautela com o cenário fiscal e político brasileiro, o Bradesco BBI vê sinais de que a percepção dos investidores sobre os ativos locais começa a melhorar. Em relatório intitulado The Tide Turning on Faria Lima, a equipe de estratégia para América Latina afirma que as conversas realizadas ao longo de dez dias com investidores no Brasil e no Chile indicam um ambiente menos pessimista para os mercados da região.

Segundo a equipe de estratégia do banco, liderada por Ben Laidler, o sentimento dos investidores brasileiros tornou-se menos negativo, o posicionamento dos portfólios está mais equilibrado e os fluxos de saída dos fundos locais parecem ter chegado ao fim. Na avaliação dos estrategistas, isso deixa a Bolsa brasileira mais sensível a notícias positivas e, principalmente, a uma eventual retomada dos investimentos estrangeiros.

  • O consenso entre investidores é que as ações, os juros e os títulos públicos brasileiros continuam baratos e bastante sensíveis a notícias menos negativas.
  • Para o BBI, o Brasil segue sendo a principal recomendação (overweight, ou exposição acima da média) na América Latina.
  • A visão positiva está baseada em dois fatores considerados mal precificados pelo mercado: o ciclo de juros doméstico e o ciclo eleitoral.

A equipe argumenta que a atenção dos investidores vem migrando do atual ciclo monetário para as eleições presidenciais de 2026 e para os sinais fiscais que serão dados pelos candidatos e pelo próximo governo. Nesse contexto, o banco avalia que tanto os rendimentos dos títulos públicos indexados à inflação quanto a curva futura da Selic incorporam um cenário excessivamente pessimista.

Um dos temas centrais das reuniões foi a possibilidade de retorno do fluxo internacional para os mercados latino-americanos. Os estrategistas avaliam que uma eventual redução dos ventos contrários vindos do setor de tecnologia nos Estados Unidos e do fortalecimento do dólar poderia estimular investidores globais a aumentar a exposição à América Latina.

No caso brasileiro, o impacto seria potencializado pelo fato de que os investidores domésticos já não estariam promovendo grandes saídas de recursos. Na prática, isso significa que um fluxo relativamente modesto de capital estrangeiro poderia gerar efeitos relevantes sobre os preços dos ativos.

Diante desse cenário, a carteira recomendada do Bradesco BBI para a América Latina privilegia temas ligados à queda dos juros, ao mercado de capitais e às estatais brasileiras. A avaliação é que o mercado ainda precifica de forma excessivamente negativa os riscos eleitorais e fiscais, abrindo espaço para recuperação dos ativos caso o ambiente macroeconômico evolua de forma apenas “menos ruim” do que o esperado.

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