Mapa de Risco: Silêncio bolsonarista nas redes acendeu alerta na campanha de Flávio
A crise envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, produziu um fenômeno incomum nas redes sociais: o silêncio do próprio bolsonarismo. Acostumada a responder rapidamente a ataques contra seus integrantes e a dominar discussões online, a militância ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu de forma mais dispersa e menos vocal após a divulgação dos áudios publicados pelo site The Intercept Brasil.
Segundo os analistas políticos e especialistas em monitoramento digital, o comportamento do bolsonarismo nas redes sociais foi um dos principais sinais de preocupação dentro da pré-campanha de Flávio. “55% a 60% das menções sobre política dentro do digital são produzidas por 5% dos eleitores, porque de fato são perfis muito vocais. Dessa vez, não vimos dois perfis vocais, um atacando e um defendendo, a gente viu um atacando e o outro em silêncio”, afirmou Renato Dolci, cientista político e diretor de dados da Timelens.
Capacidade de reação
A avaliação dos participantes do Mapa de Risco é que a crise atingiu justamente um dos temas mais sensíveis para a direita, calcado no discurso anticorrupção. Além disso, a divulgação gradual de informações dificultou a criação de uma versão única para ser defendida pela militância digital.
- O volume de interações sobre o caso foi extremamente alto, mas diferente de outras crises envolvendo o bolsonarismo, a direita teve dificuldade para construir uma defesa pública coordenada.
- A reação do bolsonarismo foi mais lenta e menos intensa do que o habitual.
- A base conservadora mudou seu comportamento, passando a produzir menos conteúdo político e a interagir de forma indireta com publicações sobre o tema.
Crise rompeu a bolha
O caso conseguiu deixar a bolha tradicional da política e alcançou eleitores menos interessados em debate institucional. A combinação entre áudio, humor político e circulação massiva nas redes foi considerada uma ajuda providencial para ampliar o alcance do tema.
Os analistas políticos destacam que a esquerda não conseguiu dominar temporariamente o debate digital justamente porque encontrou um adversário desorganizado do ponto de vista de estratégia digital.
Nos bastidores do PL, a avaliação é que parte da dificuldade vem da ausência de uma linha de defesa estável. Desde o vazamento dos áudios, aliados de Flávio apresentaram versões diferentes sobre o caso, passando por argumentos de contrato privado, perseguição política e tentativa de associar o Banco Master ao PT.
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