Mapa de Risco: Idade e memória sustentam apoio de Lula entre mais velhos
A divisão do eleitorado por faixa etária ajuda a explicar por que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda mantém vantagem em alguns segmentos, mesmo em um cenário de perda de fôlego na disputa geral. Mais do que renda ou região, a memória política e a experiência com governos anteriores têm pesado de forma desigual entre gerações.
De acordo com a última rodada da pesquisa Genial/Quaest, Lula lidera entre eleitores com mais de 60 anos, com 45%, enquanto Flávio tem 28%. Entre os mais jovens, a diferença é mínima: 34% a 33% para Lula. Na faixa intermediária, de 35 a 59 anos, o petista aparece com 36% e Flávio com 32%.
Análise dos especialistas
Para os participantes do programa Mapa de Risco, esse comportamento está diretamente ligado à lembrança dos primeiros mandatos e à percepção de melhora vivida naquele período. O cientista político Guilherme Russo, diretor de inteligência do instituto Quaest, afirma que “o eleitorado 60 a mais tem uma relação com o PT muito diferente, foram pessoas que perceberam uma mudança muito grande nos governos Lula”.
Essa memória cria um nível maior de tolerância ao momento atual. Mesmo diante de críticas ao governo, esse grupo tende a relativizar a frustração, comparando o presente com experiências passadas consideradas positivas. Já entre os mais velhos, a experiência atua como amortecedor, enquanto nas faixas intermediárias o efeito é oposto.
- Eleitores entre 35 e 59 anos aparecem como o núcleo mais sensível ao desgaste do governo, pressionados por renda, custo de vida e expectativas não atendidas.
- Esse grupo concentra a população economicamente ativa e, por isso, reage de forma mais imediata à percepção de piora nas condições de vida.
- A frustração não é apenas econômica, mas também política, ligada à expectativa criada durante a campanha.
No meio dessa disputa, a eleição tende a ser definida por quem conseguir dialogar com esse eleitor mais sensível à percepção de melhora — ou piora — no dia a dia. O analista político da XP, João Paulo Machado, afirma que “o eleitor comum pensa de forma muito simples: o que vai ser melhor para o país? Quem vai melhorar a qualidade de vida?”
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