Investigação Revela Uso de Madeira Ilegal da Amazônia em Construções de Luxo nos EUA
Um relatório recente do Environmental Investigation Agency (EIA) expôs um circuito de comércio de madeira ilegal que abastece hotéis de luxo e estruturas de grande porte nos Estados Unidos. A investigação identificou evidências de irregularidades em fazendas e exportadoras no Pará, que podem ter fornecido madeira extraída ilegalmente da Amazônia para empreendimentos de alto padrão.
A cadeia de comércio começa em propriedades privadas na floresta e passa por serrarias brasileiras até chegar a empresas estrangeiras que fornecem o material para os empreendimentos finais. O volume de madeira declarado por fazendas autorizadas foi muito acima da quantidade de árvores legalmente derrubadas no local, o que indica a possibilidade de “lavagem de madeira”.
Casos Específicos e Consequências
Dois casos específicos foram analisados: as fazendas Pinheiros e Odila. A Fazenda Odila vendeu madeira com sinais de irregularidade no valor de cerca de US$ 2 milhões entre 2021 e 2022. Já a Fazenda Pinheiros foi investigada por comercializar mais de 11 mil m³ de madeira apesar da detecção de garimpo ilegal no local em 2022.
As investigações também revelaram que a madeira foi vendida a importadoras nos Estados Unidos e na União Europeia, incluindo a Global Forest Lumber Company, que forneceu material para a instalação de deques para um resort da rede Marriott, em Pompano, e para um Hotel Hyatt em Miami.
Recomendações e Ações
O Ministério Público do Pará também vem investigando as fraudes nessa cadeia e recomendou a criação de um sistema digital de rastreabilidade em tempo real do comércio de madeira no Pará. Além disso, a promotora Eliane Moreira destaca que o sistema estadual de controle de madeira no Pará tem falhas e que é necessário integrá-lo ao sistema nacional.
- A investigação do EIA identificou 25 mil m³ de madeira vendidos com sinais de ilegalidade.
- O volume total de madeira contaminada identificada ultrapassa 78 mil m³.
- As espécies de ipê e cumaru são as mais negociadas.
Diante dessas revelações, é fundamental que sejam tomadas medidas para combater o comércio de madeira ilegal e proteger a floresta amazônica.
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