Luta Antimanicomial: UFJF e UFMG se Desculparam por Uso de Cadáveres em Aulas
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) emitiram notas de desculpas por terem utilizado cadáveres de pessoas confinadas em hospitais psiquiátricos em cursos de saúde. Essa prática foi considerada uma violação dos direitos humanos e uma contribuição para a perpetuação de estigmas e práticas discriminatórias.
A UFJF assumiu sua conivência em um dos momentos mais sensíveis da história da saúde pública do país, destacando que a segregação social feita em nome de uma suposta segurança coletiva resultou em isolamento e violências contra as pessoas confinadas. A universidade mencionou o Hospital Colônia de Barbacena, que foi um exemplo marcante de marginalização e invisibilização de pacientes.
- Estima-se que mais de 60 mil pessoas tenham morrido no Hospital Colônia de Barbacena ao longo do século XX.
- 1.853 corpos de internos foram comercializados para instituições de ensino da área da saúde para uso em aulas de anatomia.
- O Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF recebeu 169 corpos entre os anos de 1962 e 1971.
Como forma de reparação simbólica, a UFJF comprometeu-se a lançar e manter iniciativas como ações educativas sobre direitos humanos e saúde mental, buscar apoio para a criação de um memorial e organizar pesquisas documentais sobre conexões entre a instituição e o Hospital de Barbacena.
A UFMG também formalizou pedido de desculpas por meio de declaração pública, reconhecendo sua responsabilidade pelas atrocidades cometidas e comprometendo-se a realizar ações de memória em conjunto com grupos da luta antimanicomial.
Desde 2010, o Departamento de Anatomia do ICB da UFJF iniciou a implementação do Programa de Doação Voluntária de Corpos – Sempre Vivo, que garante que todos os corpos recebidos pela instituição sejam provenientes exclusivamente de doações voluntárias.
A UFMG também conta com um programa de doação de corpos para estudo de anatomia, que funciona de forma voluntária e consentida, alinhada a padrões internacionais.
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