Juro de longo prazo é insustentável, mas vai cair? Como se posicionar para lucrar
Após dois cortes seguidos, a Selic continua nas alturas, oferecendo um refúgio para os investidores que buscam segurança na renda fixa. No entanto, a estratégia de alocação mudou, e uma das oportunidades para lucrar alto está no prêmio oferecido pelos títulos de longo prazo.
A ponta longa da curva de juros reflete atualmente o risco das contas públicas, mas a assimetria joga a favor de quem compra agora. Segundo João Arthur Almeida, diretor de investimentos da Suno Consultoria, “a gente enxerga a posição de juros longos, principalmente em juro real, como bem atrativa, esse mercado tem uma simetria muito positiva”.
No entanto, a dúvida é quando exatamente os juros longos vão deslanchar. As variáveis são difíceis de prever e vão de políticas a macroeconômicas e fiscais. Mayara Rodrigues, analista de renda fixa da XP Investimentos, concorda que a parte longa da curva não está esticada “à toa” e que o mercado vem aplicando a relação de risco e retorno correta para a incerteza atual.
Para se posicionar para lucrar, os especialistas recomendam adequar o vencimento ao estômago. A alocação na parte longa da curva é válida e carrega o maior potencial de alta, mas deve ser restrita apenas aos investidores de perfil arrojado que suportem o forte vaivém da marcação a mercado.
- Títulos públicos: Tesouro IPCA+ é o queridinho, com maiores assimetrias.
- Prefixados: cuidado adicional, com um componente forte da inflação implícita.
- Tesouro Selic: segurança nunca é demais, com estimativa de que a taxa básica de juros estacione na casa dos 13%.
No mercado de crédito corporativo, a abertura dos prêmios de risco serviu como uma janela estratégica para reciclar o portfólio, trocando ativos que geravam desconforto por opções mais seguras que passaram a oferecer taxas atrativas. Os papéis preferidos são das empresas high grade, com classificação de risco de alta qualidade.
Para investir, os especialistas recomendam direcionar o capital para a prateleira das empresas de energia, saneamento e companhias de rodovias. É importante buscar portos seguros e alocar os recursos no próprio setor bancário.
Quanto aos instrumentos e veículos de investimento ideais, a indicação varia conforme a tolerância à volatilidade. Conservador: a XP Investimentos orienta que o aporte seja feito via fundos de crédito privado com gestão ativa. Moderado ou arrojado: a exposição pode ser direta via debêntures e certificados de recebíveis, buscando isenção fiscal e retornos superiores.
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