Influenciadores viram sócios de empresas em novo modelo de negócios
O mercado de influenciadores digitais no Brasil está em constante evolução, e um novo modelo de negócios está ganhando força: o media for equity. Nesse modelo, os criadores de conteúdo se tornam sócios de empresas, recebendo participações societárias em vez de cachês. Isso pode reduzir custos de marketing para as empresas e proporcionar ganhos mais duradouros para os influenciadores.
De acordo com a advogada Ana Carolina Cesar, especialista em propriedade intelectual e tecnologia, o Brasil é um dos mercados mais favoráveis para esse tipo de operação. No entanto, é fundamental estabelecer regras claras e contratos bem definidos para proteger ambos os lados.
Vantagens e desafios
O modelo de media for equity oferece vantagens para ambos os lados. Para as empresas, significa reduzir desembolsos imediatos com campanhas publicitárias. Para os influenciadores, representa a possibilidade de participar da valorização futura do negócio, criando uma fonte de renda mais duradoura.
No entanto, também há desafios e riscos envolvidos. O principal deles é o risco reputacional, pois a entrada de um influenciador no quadro societário cria uma associação mais profunda e duradoura entre a imagem da personalidade e a da empresa.
Para mitigar esses riscos, é fundamental incluir cláusulas de proteção nos contratos, como cláusulas de saída obrigatória em caso de danos reputacionais, mecanismos de indenização e regras de não concorrência.
Startups e empresas maduras
O modelo de media for equity surgiu principalmente no universo das startups, mas já começa a ser adotado por empresas maduras. Essas empresas enxergam nos influenciadores não apenas embaixadores de marca, mas parceiros estratégicos de crescimento.
Em muitos casos, as empresas recorrem a estruturas intermediárias, como contratos de mútuo conversível. Nesse modelo, o influenciador inicialmente realiza campanhas e ações de divulgação, enquanto a empresa mede indicadores como engajamento, vendas e conversão.
Para a especialista, a tendência deve se intensificar nos próximos anos, com os influenciadores deixando de vender apenas audiência e passando a construir patrimônio, e as empresas deixando de ver a publicidade como apenas uma estratégia de marketing e passando a vê-la como uma estratégia de crescimento.
- O mercado de influenciadores digitais no Brasil movimenta mais de R$ 20 bilhões por ano.
- O país tem mais influenciadores digitais do que médicos e advogados juntos.
- O modelo de media for equity pode reduzir custos de marketing para as empresas e proporcionar ganhos mais duradouros para os influenciadores.
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