IA, Ouro e Dólar: A Tríade que Pode Redefinir os Investimentos em 2026
O ano de 2026 começa com os mercados globais orbitando em torno da corrida pela liderança em inteligência artificial (IA). O volume de investimentos em infraestrutura, chips, nuvem e modelos de linguagem nos Estados Unidos e na Ásia transformou o tema no principal vetor de risco e oportunidade para gestores ao redor do mundo.
A avaliação dominante é que o ciclo ainda está em fase inicial, mas já concentra um nível de capital que, se não se converter em produtividade e lucros, pode provocar ajustes relevantes nos preços dos ativos. O dilema, portanto, não é mais “estar ou não” exposto à tecnologia, mas “onde” se posicionar dentro da cadeia.
- Empresas de aplicações e plataformas, como Alphabet e Amazon;
- Fabricantes de semicondutores e infraestrutura crítica, como TSMC e Nvidia.
Segundo Priscila Araújo, head de produtos e relacionamento da XP, “o grande desafio hoje é escolher em qual elo dessa cadeia você quer estar, porque a adoção ainda é preliminar, mas os valuations já embutem muito crescimento”.
O Debate sobre Bolha e a Busca por Alternativas
O debate sobre bolha também voltou à mesa, com comparações com o período que antecedeu o estouro da Nasdaq em 2000. No entanto, a inteligência artificial já apresenta geração de caixa e aplicações concretas, diferentemente da internet nos anos 1990.
Além disso, a busca por alternativas à escolha direta de vencedores ganhou tração, com parte dos investidores preferindo exposição ampla via índices. “Se você compra o Nasdaq, alguma das grandes empresas vai capturar esse valor. É uma forma mais defensiva de participar da tendência sem apostar em um único nome”, observa Davi Fontenele.
Ouro e Dólar: A Busca por Proteção
O ouro registrou uma das maiores altas de sua história recente em 2025, impulsionado por compras recordes de bancos centrais, tensões geopolíticas e questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal das grandes economias. A demanda institucional coincidiu com o ingresso mais forte de investidores pessoa física, atraídos pelo movimento de alta.
A valorização também contaminou outros metais preciosos, como prata, platina e paládio. Gestores passaram a acessar o tema não apenas via ETFs, mas também por meio de ações de mineradoras, que amplificam o movimento do metal.
Com um dólar estruturalmente mais fraco e maior fluxo para mercados emergentes, a vida dos gestores se tornou mais complexa. Tensões geopolíticas, guerras comerciais, mudanças abruptas de política econômica e o avanço das estratégias quantitativas aumentaram a velocidade e a intensidade dos movimentos de mercado.
Para Priscila Araújo, a combinação de inteligência artificial como motor de crescimento, metais preciosos como reserva de valor e um sistema financeiro mais sensível a choques geopolíticos reforça a necessidade de uma gestão mais flexível. “O mundo está menos previsível, mais fragmentado e com correlações instáveis. Isso exige menos apego a modelos do passado e mais capacidade de navegar mudanças de regime”.
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