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Gringo vê risco que o brasileiro ignora no ciclo de crédito, diz gestor da IP Capital

Preocupação com o Ciclo de Crédito no Brasil

As famílias brasileiras estão enfrentando um nível de endividamento sem precedentes, com quase 30% da renda dos trabalhadores sendo destinada ao pagamento de juros e parcelas de dívidas. Esse dado, que já é motivo de preocupação para analistas no Brasil, ganhou novos contornos em Nova York, onde investidores estrangeiros demonstraram um nível de apreensão surpreendente.

De acordo com Gabriel Raoni, sócio e cogestor da IP Capital Partners, o problema é que os brasileiros estão gastando uma grande parte de sua renda com o serviço da dívida. “Para cada R$ 1.000 que você ganha de salário, você está gastando R$ 300 em serviço da dívida”, resume Raoni.

Descolamento entre Renda e Consumo

O descolamento entre renda e consumo é um sinal que merece atenção. Em 2024, a renda das famílias cresceu cerca de 4% em termos reais, mas o mercado de crédito expandiu entre 6,5% e 7% no mesmo período. Já o consumo das famílias avançou apenas 1% em termos reais, o que indica que o dinheiro novo não está indo para gastar, mas para pagar dívida velha.

Os números ajudam a entender o alarme. O crédito para pessoas físicas é o ponto de maior atenção, e o comportamento do consignado privado é um exemplo disso. “Não tem acontecido. O brasileiro está continuamente aumentando a sua alavancagem”, afirmou Raoni.

Previsões para o Futuro

Para 2026, Raoni não está muito preocupado. No entanto, o problema está no horizonte seguinte. “A preocupação dos agentes do mercado não é com 2026. O mercado sempre acaba olhando 12, 18 meses para frente — ali com 2027, eventualmente 2028”, disse ele.

Os principais fatores que podem influenciar o ciclo de crédito incluem:

  • Inflação acelerando por conta da guerra no Oriente Médio e da alta de commodities
  • Juros que não caem
  • Desemprego subindo
  • Bancos reduzindo a torneira do crédito

Esses fatores podem levar a uma tempestade perfeita, com inadimplência subindo com força. Raoni ilustrou o raciocínio com uma metáfora: “No ciclo de crédito, você vai ter, eventualmente, em 2027, uma curva bem fechada. Vários carrinhos, que são os bancos, correndo nessa pista. A questão é saber quem vai fazer essa curva sem capotar o carro.”

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