Fóssil de 415 milhões de anos revela maior escorpião já descoberto
Há cerca de 415 milhões de anos, um predador de tamanho impressionante dominava regiões que hoje correspondem à Inglaterra e ao País de Gales. Uma nova pesquisa confirmou que os fósseis de Praearcturus gigas pertencem ao maior escorpião já identificado. Os fósseis dessa espécie são conhecidos pelos cientistas há mais de um século, mas sua verdadeira identidade permaneceu em debate durante décadas.
Uma nova pesquisa, publicada em 2 de junho na revista Palaeontology, que analisou diversos espécimes fósseis, permitiu confirmar que o animal está entre os maiores escorpiões pré-históricos já encontrados. A descoberta de Eramoscorpius, descrito a partir de um fóssil bem preservado encontrado no Canadá em 2015, foi decisiva para solucionar a questão.
Segundo os pesquisadores, o Praearcturus gigas apresenta uma estrutura anatômica chamada esterno, que também aparece nos fósseis de Eramoscorpius. Com mais de um metro de comprimento estimado e pinças que chegavam a 16 centímetros, o animal estava entre os primeiros grandes predadores a ocupar ambientes terrestres.
- O corpo robusto do animal provavelmente lhe garantia uma ampla variedade de presas.
- Em terra, ele poderia caçar pequenos artrópodes que habitavam as planícies alagadas do período Devoniano.
- Os pesquisadores também sugerem que o escorpião poderia atuar como um predador aquático, alimentando-se de peixes e outros animais de grande porte.
A identidade do Praearcturus gigas é especialmente importante porque oferece novas pistas sobre um dos momentos mais decisivos da história da Terra: a colonização dos ambientes terrestres por formas de vida complexas. Durante o Devoniano, pequenas plantas começaram a se espalhar pelos continentes e desenvolver adaptações que mais tarde dariam origem às primeiras florestas.
Apesar dos avanços, muitas perguntas continuam sem resposta. Fragmentos fósseis encontrados em Portishead, na Inglaterra, indicam que a espécie pode ter sobrevivido por pelo menos mais 40 milhões de anos, mas essa associação ainda não foi confirmada. Segundo os pesquisadores, novas descobertas serão necessárias para determinar se esses restos realmente pertencem a Praearcturus e para esclarecer outras questões sobre a biologia, a evolução e o desaparecimento do maior escorpião já identificado pela ciência.
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