Fluxo “gringo”: BBA vê fatores para saída do Brasil, mas segue otimista com gatilhos
O Itaú BBA identificou três movimentos-chave que estão guiando o humor dos investidores em relação à Bolsa brasileira neste início de ano. O primeiro ponto destacado é o interesse contínuo dos investidores internacionais no ciclo de afrouxamento monetário no país.
Embora o início da queda de juros tenha sido mais lento do que o esperado, com um corte de 0,25 ponto, o Brasil segue sendo uma das poucas grandes economias em processo de corte de juros. No entanto, parte dos estrangeiros reduziu exposição ao país devido ao ambiente geopolítico incerto e à pressão dos preços de energia, que pode influenciar expectativas de inflação.
O segundo eixo das discussões foi a volatilidade global. Com o avanço do conflito geopolítico e a disparada do petróleo, o Brasil tem se destacado como um dos “vencedores relativos” entre emergentes. O país caiu 5% desde o início das tensões, contra um recuo de 11,3% do índice de emergentes em dólar.
O terceiro destaque é o retorno gradual do investidor doméstico à bolsa. Após vender R$ 36 bilhões em ações no acumulado do ano, mesmo com resgates de R$ 7 bilhões, fundos institucionais começam a reverter parte da posição de caixa e enxergam valuations mais atrativos nas grandes empresas brasileiras.
Na visão do Itaú BBA, o momento favorece nomes de grande capitalização domésticos, especialmente bond proxies e cíclicas internas, em meio a preços mais descontados e ao retorno gradual da demanda por ações no mercado local. Alguns setores que podem se beneficiar disso incluem:
- Shoppings
- Construtoras de baixa renda
- Bancos tradicionais
- Nomes ligados ao mercado de capitais
Além disso, o banco mantém postura neutra em Oil & Gas, com preferência por PRIO e leve underweight em Petrobras, e exposição relevante em Utilities, citando Axia, Eneva e Copel como beneficiárias de preços elevados de energia.
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