Exxon pode voltar à Venezuela e encerrar longa disputa com líderes do país
A Exxon Mobil, a maior empresa de energia dos Estados Unidos, está em negociações para adquirir direitos de produção de petróleo na Venezuela, quase duas décadas depois de ter sido expulsa do país. Esse acordo seria uma grande vitória para o presidente Donald Trump, que declarou que a vasta riqueza natural da Venezuela está aberta a empresas americanas.
Se for concluído, o negócio marcaria o retorno da Exxon a um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, depois de anos de disputas judiciais que transformaram a petroleira em inimiga declarada do governista Partido Socialista. Até janeiro deste ano, a própria Exxon classificava a Venezuela como “ininvestível”.
O acordo, que poderia ser fechado e anunciado já neste mês, envolveria a assinatura de contratos para a Exxon produzir petróleo em até seis campos em diferentes regiões da Venezuela. Qualquer acerto entre esses dois velhos adversários da indústria global de petróleo — a Exxon e o governo da Venezuela — seria um marco na campanha de Rodríguez e Trump para transformar o país em parceiro econômico dos Estados Unidos, depois de décadas de rivalidade.
- A Venezuela nacionalizou projetos de petróleo estrangeiros em duas ocasiões nas últimas décadas, incluindo ativos da própria Exxon.
- Em 2007, o antecessor de Maduro na Presidência, Hugo Chávez, nacionalizou projetos de petróleo da Exxon e de outras petroleiras estrangeiras.
- A Exxon se recusou a negociar, deixou o país e iniciou uma longa batalha judicial em cortes internacionais.
Depois de sair da Venezuela, a Exxon passou a investir pesadamente na vizinha e rival Guiana e a desenvolver grandes campos de petróleo em uma área do Atlântico reivindicada pelos venezuelanos. O peso econômico da Exxon na Guiana fez da companhia um alvo frequente de ataques de Maduro, que a acusava de patrocinar um governo hostil.
Desde então, o CEO da Exxon, Darren Woods, suavizou o discurso sobre a Venezuela, destacando a experiência da companhia na produção de óleo ultrapesado no Canadá como uma vantagem na Venezuela, onde boa parte do petróleo tem características semelhantes. Alguns fatores mudaram desde que Woods descartou a Venezuela em janeiro, incluindo a guerra no Irã, que elevou os preços globais de petróleo e gás, tornando mais atraentes investimentos em produção em diferentes mercados.
Ainda não está claro se o acordo inicial em negociação entre Exxon e autoridades venezuelanas incluirá obrigações vinculantes ou se será apenas uma manifestação formal de interesse da companhia. No entanto, a busca pelo acordo com a Exxon se tornou prioridade máxima para o governo de Rodríguez, que vê o retorno da empresa como peça central da estratégia para atrair investimentos e ganhar prestígio junto à administração Trump.
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