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Ex-diretor do BC vai contra o consenso e aposta em continuidade dos cortes da Selic

Ex-diretor do BC vai contra o consenso e aposta em continuidade dos cortes da Selic

A Itaú Janeiro, uma das maiores gestoras do país, comandada por Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, projeta que a inflação vai ceder mais do que o mercado espera e que o Copom tem espaço para seguir cortando os juros no segundo semestre, sem necessidade de pausa.

A inflação é o ponto de partida da tese, publicada em carta mensal, que projeta um IPCA de 4,6% em 2026, bem abaixo da mediana de 5,3% da pesquisa Focus. A gestora argumenta que a diferença está concentrada em itens voláteis, como bens industriais e alimentos in natura, e não nos preços mais persistentes.

No grupo de serviços, considerado o mais sensível ao aquecimento da economia, a casa afirma que a inflação já dá sinais de arrefecimento, o que na sua leitura mostra que a política monetária está funcionando. A partir desse cenário, a projeção é de continuidade da queda dos juros, com cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro.

Essa visão se traduz no posicionamento das carteiras, com o multimercado Janeiro mantendo um viés aplicado em juros nominais no Brasil, posição que ganha com a queda das taxas prefixadas, e vendido em inflação implícita, que é a expectativa de inflação embutida nos juros futuros.

Além disso, a gestora também aposta num Fed parado, com o time comando por Serra enxergando as menções de Warsh ao compromisso com a estabilidade de preços como “retórica comum de qualquer banqueiro central recém-empossado”. A aposta da casa é que Warsh e a maioria do comitê vão preferir esperar para ver se a inflação recua com o fim do efeito das tarifas e a queda do petróleo.

Outras gestoras, como a Kapitalo, reforçam esse campo mais construtivo sobre os juros, reconhecendo que o Fed entregou projeções “bem mais hawkish que a expectativa”, mas acreditando que a autoridade monetária americana deve esperar antes de agir.

Em resumo, as principais pontos da aposta da Itaú Janeiro são:

  • Projeção de inflação de 4,6% em 2026, abaixo da mediana da pesquisa Focus;
  • Continuidade da queda dos juros, com cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro;
  • Aposta num Fed parado, com Warsh e a maioria do comitê esperando para ver se a inflação recua com o fim do efeito das tarifas e a queda do petróleo.

Essa visão vai contra o consenso do mercado, que teme uma pausa no ciclo de cortes da Selic, mas a Itaú Janeiro acredita que a política monetária está funcionando e que a inflação vai ceder mais do que o mercado espera.

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