Europa em Choque, Oriente Médio em Chamas: Brasil Pode Ser o Fiel da Balança?
O cenário geopolítico mundial está passando por um ponto de inflexão, com a Europa enfrentando desafios internos e externos, enquanto o Oriente Médio emerge como o principal foco de risco de curto prazo. A fragilidade da ordem multilateral e a ascensão de potências regionais estão redefinindo as dinâmicas de poder, exigindo uma reavaliação das estratégias globais e locais.
De acordo com Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da Eurasia Group, a defesa da Ucrânia fortaleceu a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas serviu como um “wake-up call” para a Europa, levando a um consenso entre a elite política do continente sobre a necessidade de investimento maciço na indústria bélica para desenvolver capacidades de defesa autônomas e reduzir a dependência do “arco de defesa americano”.
Desafios Econômicos e de Segurança
Além da segurança, a Europa enfrenta desafios econômicos significativos, incluindo a busca por maior competitividade e reformas estruturais. No entanto, a opinião pública, cada vez mais polarizada e inclinada a partidos populistas, representa um obstáculo. Garman destaca que a média de aprovação popular nos três principais países europeus é de apenas 21%, com o apoio a partidos populistas crescendo de 10% para 40-50% em 20 anos.
Em relação à Rússia, a avaliação é de um país “enfraquecido e perigoso”, com a economia se tornando “muito mais como uma economia voltada para a guerra”. O apoio doméstico a Putin permanece forte, e o regime está consolidado. No entanto, a economia começa a mostrar “sinais de fragilidade”, apesar de ter refeito laços com a China e outros parceiros.
Oriente Médio: Cenário de Risco
O Oriente Médio é apontado como o “principal risco de cauda geopolítico” no próximo mês, com a possibilidade de uma ação militar maior dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A Eurasia Group acredita que a resposta é “sim”, com a Casa Branca inclinada a uma ação militar para “decapitar o regime” iraniano.
O risco de uma retaliação iraniana, caso se sinta “encurralado sem nada a perder”, é a tentativa de fechamento do Estreito de Hormuz ou ataques a instalações na Arábia Saudita, o que poderia impactar o preço global do petróleo. No entanto, Garman ressalta que a capacidade do Irã de sustentar um bloqueio é limitada, e um eventual fechamento seria “temporário”.
Brasil: Oportunidades em um Mundo Fragmentado
Em um mundo cada vez mais fragmentado, o Brasil se posiciona como uma potência no agronegócio e energética, com grande área cultivável e produção de petróleo em ascensão. Além disso, o país possui a segunda maior reserva de terras raras globais, ativos que “vão crescer em valor ao longo do tempo” em um cenário de preocupação com segurança alimentar, energética e de minerais críticos.
A vulnerabilidade chinesa e a quebra da aliança transatlântica com os Estados Unidos têm levado a uma maior busca por diversificação de parcerias. A União Europeia, a China e até mesmo a Índia e o Canadá estão buscando estreitar laços com o Brasil, que, por não depender “exclusivamente da China ou dos Estados Unidos”, possui um “grau de liberdade” que o torna atraente para investimentos.
No entanto, o “grande calcanhar de Aquiles” do Brasil é o lado fiscal. A preocupação do investidor, tanto estrangeiro quanto doméstico, é se o próximo governo “vai atacar o grande calcanhar de Aquiles fiscal que a economia brasileira tem”. O banco central também desempenha um papel importante nesse cenário.
- O Brasil precisa de um ajuste fiscal robusto para reduzir a dívida e melhorar a confiança dos investidores.
- A instabilidade da segurança jurídica e a degradação institucional são fatores de preocupação para os investidores locais.
- O país precisa diversificar suas parcerias e investir em setores estratégicos, como o agronegócio e a energia.
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