Estudo liga escravidão à estagnação do PIB per capita no Brasil
Um estudo recente publicado pela Folha de S. Paulo revela que a adoção e a persistência do trabalho escravo são apontadas como o principal fator por trás da trajetória de baixa renda no Brasil ao longo de sua história. O estudo, intitulado “How a nation was born: Brazilian economic growth, 1574-1920”, reúne mais de 30 mil registros históricos de salários e preços para estimar o PIB per capita ao longo de mais de três séculos.
As estimativas sugerem que o Brasil teve um nível de renda relativamente elevado no início da colonização, mas entrou em um ciclo prolongado de estagnação a partir de meados do século 17. Nesse período, a renda média parou de crescer por cerca de dois séculos. Segundo os autores, o principal fator por trás dessa trajetória foi a estrutura econômica baseada no trabalho escravo.
Os principais mecanismos que contribuíram para essa estagnação incluem:
- A condição dos escravizados, mantidos em nível de subsistência;
- O efeito sobre trabalhadores livres, cujos salários eram pressionados para baixo pela oferta abundante de mão de obra barata;
- O desestímulo à inovação, já que o baixo custo do trabalho reduzia a necessidade de ganhos de eficiência.
Esses fatores criaram uma dinâmica de salários baixos, baixa adoção de tecnologia e, como consequência, produtividade limitada. O padrão começou a se desfazer apenas com o enfraquecimento do tráfico de escravizados, quando a economia passou a registrar ganhos de produtividade mais consistentes, com reflexos no crescimento da renda.
O estudo contribui para um debate recorrente sobre quando e por que o Brasil se afastou das economias mais desenvolvidas. Ao oferecer uma base empírica mais ampla, a pesquisa tenta reduzir a incerteza sobre a evolução da renda no país ao longo de sua história.
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