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Estudo aponta fatores estruturais para inflação de alimentos no Brasil

Um estudo recente divulgado pela organização não governamental ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, revela que a inflação de alimentos no Brasil é um fenômeno estrutural, que afeta mais os produtos frescos em comparação com os ultraprocessados. O estudo, elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, destaca que a inflação dos alimentos no Brasil não pode ser atribuída exclusivamente a questões sazonais ou conjunturais.

O estudo aponta que a inflação da alimentação é estrutural, composta por pressões permanentes que não se resolvem sozinhas e exigem mudanças no modo como a economia está organizada. Além disso, o estudo mostra que o custo da alimentação do brasileiro subiu 302,6% em quase 20 anos, enquanto a inflação geral do país foi de 186,6%.

  • Tubérculos, raízes e legumes: 359,5%
  • Carnes: 483,5%
  • Frutas: 516,2%

Os itens que mais subiram de preço são os produtos frescos, enquanto os ultraprocessados tiveram um aumento menor. Isso ocorre porque os ultraprocessados têm elementos como aditivos, que são industriais e têm menos oscilação de preço. Além disso, a produção de ultraprocessados é baseada em cultivos de “monotonia”, o que reduz a resiliência do cultivo.

O estudo também destaca que o modelo agroexportador do Brasil é um dos fatores que levam ao aumento persistente dos preços. O fato de o país ser um dos maiores exportadores de alimentos do mundo faz com que a prioridade dos produtores seja vender para outros países e receber o valor da produção em dólares, em vez de direcionar para o mercado interno.

Outros fatores que contribuem para a inflação dos alimentos incluem a concentração da cadeia produtiva, a dependência de insumos agrícolas importados e a falta de uma estratégia de desenvolvimento. O estudo sugere que a desconcentração produtiva, o reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno e o fortalecimento de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Centrais de Abastecimento dos estados (Ceasas) podem ser soluções para reverter a trajetória inflacionária da comida.

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