Entidades questionam fontes poluentes no leilão de reserva de energia
O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) realizado recentemente gerou críticas de organizações em defesa do meio ambiente e dos direitos dos consumidores. O processo de contratação de energia de usinas que ficam de prontidão para abastecer o Sistema Interligado Nacional (SIN) em momentos de demanda alta ou emergências priorizou fontes poluentes, como usinas movidas a combustíveis fósseis.
De acordo com o Instituto Internacional Arayara, apenas cinco hidrelétricas foram incluídas na lista dos 100 empreendimentos vencedores do leilão, enquanto 90 termelétricas a gás natural, três termelétricas a carvão mineral e duas termelétricas a biogás foram contratadas. Isso é considerado incoerente com os compromissos climáticos assumidos pelo país, especialmente após a COP30.
Críticas às usinas a carvão mineral
O Instituto Internacional Arayara afirma que as usinas a carvão mineral não possuem a flexibilidade necessária para cumprir a função de garantir energia em momentos de pico de demanda, especialmente no início da noite. Além disso, o tempo de acionamento dessas usinas pode demorar até oito horas, o que as torna ineficazes em situações de emergência.
A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) estima que as termelétricas representarão um custo anual de R$ 39 bilhões e um aumento médio de 10% nas contas de luz. Além disso, os consumidores ainda precisarão pagar os custos dos combustíveis quando as usinas forem acionadas, o que pode impactar na inflação e no desequilíbrio no setor elétrico.
Impactos ambientais e econômicos
O Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL) também se opôs à presença de termelétricas no leilão e estima que, em dez anos, haverá prejuízo entre R$ 190 bilhões e R$ 510 bilhões aos consumidores. Além disso, a contratação de usinas movidas a combustíveis fósseis compromete o nível alto de renovabilidade da matriz elétrica nacional.
Em resumo, as entidades questionam a prioridade dada às fontes poluentes no leilão de reserva de energia, argumentando que isso é incoerente com os compromissos climáticos assumidos pelo país e pode ter impactos negativos na economia e no meio ambiente.
- As usinas a carvão mineral não são eficazes em situações de emergência devido ao tempo de acionamento longo.
- A contratação de termelétricas pode gerar custos anuais de R$ 39 bilhões e aumentar as contas de luz em 10%.
- O prejuízo aos consumidores pode chegar a R$ 510 bilhões em dez anos.
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