Empresas Geridas por Ministro do Turismo Acumulam Crise e Sanções do Governo Federal
O novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, escolhido pelo presidente Lula para aproximação com uma parcela do Centrão, tem uma trajetória empresarial marcada por dificuldades. Ele é ligado a duas faculdades que fecharam as portas, atrasaram salários e sofreram sanções do próprio governo federal.
Uma das instituições, a Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal (Faciten), foi descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC) em novembro de 2025 por falhas na prestação de serviços educacionais. Outra instituição, a Faculdade de Campina Grande, foi suspensa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em julho do ano passado e está inoperante desde 2024.
As empresas têm sede na Paraíba, onde Feliciano construiu a rede de relações políticas que o levou ao cargo. Ele foi secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico entre 2019 e 2021, no governo de João Azevedo (PSB), e é aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
As instituições de ensino controladas por Feliciano acumulam uma dívida de R$ 3 milhões com a União. A Unesc-PB, que controla a Faculdade de Campina Grande, consta no rol de devedores da União, com débito de R$ 2,59 milhões. A Unipb, mantenedora da Faciten, tem débitos de R$ 334 mil.
Ex-funcionários da Faculdade de Campina Grande relatam atrasos de salários e falta de infraestrutura adequada para o ensino remoto. A instituição foi suspensa do Fies em julho de 2025 por não ter enviado informações para o Censo da Educação Superior.
Além do ramo educacional, Feliciano atuou no setor imobiliário. Ele é sócio da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários, empresa sediada em Campina Grande que já entregou condomínios residenciais. A construtora consta na lista de devedores da PGFN, com passivo de cerca de R$ 200 mil.
As empresas de Feliciano também têm problemas com a
- documentação de funcionários, com ex-funcionários relatando falta de registro em carteira;
- pagamento de salários, com atrasos e falta de pagamento de FGTS;
- acordos judiciais, com ex-funcionários acionando a Justiça por atrasos no pagamento de parcelas.
O ministro não se manifestou sobre as denúncias. Seu irmão, Renato Feliciano, disse que as dívidas trabalhistas estão sendo negociadas caso a caso.
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