Política Econômica do Brasil: Desafios e Perspectivas
O economista-chefe da Safra Asset, Daniel Weeks, expressou sua preocupação com a política econômica atual do Brasil, afirmando que “tem alguma coisa errada no nosso mix de política econômica que tem que ser revisto”. Ele destaca que a Selic alta, que permaneceu em 15% por um ano, foi uma medida necessária para tentar reequilibrar a economia, mas que a raiz do problema está na combinação de mais gastos com mais arrecadação, o que não para de estimular o país e obriga o banco central a manter os juros altos.
Weeks criticou o recente corte da taxa de juros para 14,25%, argumentando que não deveria ter sido feito. Ele também destacou que o juro real perto de 7,5% a 8% é considerado neutro, e não os 5% estimados pelo Banco Central. Além disso, ele expressou preocupação com a dívida pública, que está em 72% e deve fechar o ano em 82%, e defendeu que o arcabouço fiscal seja repensado do zero, e não apenas ajustado nas beiradas.
Riscos Geopolíticos e o Preço do Petróleo
O economista também discutiu os riscos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio, e seu impacto no preço do petróleo. Ele lembrou que essas questões são difíceis de contornar e que o preço do petróleo pode ter um efeito duradouro na economia. No entanto, ele minimiza o estrago duradouro e vê o preço de equilíbrio perto de US$ 70.
Para o Brasil, o efeito do aumento do preço do petróleo é dúbio. Por um lado, o país exporta petróleo, o que ajuda a balança comercial e a arrecadação, e dá fôlego ao governo para segurar os preços da gasolina e do diesel. Por outro lado, fertilizantes e derivados encarecem, e essa pressão se espalha por outras cadeias, dos alimentos ao frete, até chegar ao bolso do consumidor.
- O preço do petróleo pode ter um impacto na inflação e, por tabela, nos juros.
- Um choque no barril pode contaminar índices de preços que já vinham resistentes.
- A autoridade monetária pode reforçar a cautela em manter a Selic elevada por mais tempo.
No entanto, Weeks relativiza o peso isolado do petróleo sobre o juro, argumentando que o que importa é se a economia está ou não equilibrada. Ele prefere olhar menos o barril e mais o “pano de fundo” da economia, ou seja, o estado geral da demanda, que define se um susto no petróleo vira problema de juro ou apenas ruído passageiro.
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