Economist vê riscos à supremacia financeira dos EUA e destaca papel do Pix no debate
O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, voltou ao centro do debate internacional sobre soberania financeira. A revista britânica The Economist afirma que a crescente disputa entre Estados Unidos e outros países pelo controle dos sistemas de pagamentos digitais é um sinal de transformação na ordem financeira global.
Segundo a publicação, a recente ofensiva americana contra o Pix evidencia um movimento mais amplo de fragmentação da infraestrutura financeira internacional, tradicionalmente dominada por empresas americanas como Visa e Mastercard e pela influência do dólar. A reação no Brasil foi unânime, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo o sistema como uma conquista nacional.
Europa e China aceleram busca por alternativas
A Europa e a China estão acelerando a busca por alternativas à infraestrutura financeira americana. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que é importante que os europeus tenham os pagamentos digitais “sob seu controle”. O bloco já opera a Área Única de Pagamentos em Euros (SEPA) e trabalha no desenvolvimento da Wero, uma carteira digital que pretende integrar diferentes sistemas nacionais de pagamentos instantâneos.
A China também intensifica seus esforços, ampliando a abrangência internacional de seu yuan digital e fortalecendo o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS), apontado como uma alternativa à rede SWIFT.
Pix e UPI ganham relevância internacional
O Pix e o UPI, plataforma indiana baseada em QR Code, aparecem como exemplos de soluções que podem reduzir a dependência dos tradicionais arranjos internacionais de cartões. O sistema indiano já opera em nove países e busca ampliar sua presença por meio de acordos bilaterais.
Para Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell, a infraestrutura de pagamentos tornou-se uma rota mais viável para a busca de independência financeira do que a tentativa de substituir o dólar nos fluxos globais. A conexão direta entre sistemas nacionais pode criar canais alternativos para pagamentos transfronteiriços, evitando parte da dependência das redes tradicionais de cartões e bancos correspondentes.
- O avanço desses sistemas soberanos representa uma ameaça crescente para Visa e Mastercard, que historicamente dominam os pagamentos eletrônicos globais.
- As gigantes americanas já reconhecem em seus relatórios anuais que o favorecimento regulatório a sistemas domésticos pode representar um risco relevante aos negócios.
- A fragmentação dos sistemas de pagamentos também traz riscos, como a dificuldade de interoperabilidade dos sistemas, aumento de fraudes e maior dificuldade para monitorar fluxos financeiros globais.
Em resumo, a busca pela soberania dos pagamentos está redesenhando a infraestrutura financeira global, oferecendo maior independência aos países, mas também elevando custos econômicos e reduzindo a integração do sistema internacional.
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