Desemprego sinaliza acomodação, mas em nível historicamente baixo, dizem economistas
O mercado de trabalho no Brasil começa a dar os primeiros sinais de acomodação, após meses com dados baixos recordes de desemprego. A taxa de desocupação atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, acima dos 5,2% verificados no trimestre de setembro a novembro de 2025.
De acordo com economistas, as estatísticas do mercado de trabalho ainda apontam um setor robusto, com população ocupada próximo das máximas, e estabilidade na população subocupada e desalentada. Além disso, o rendimento real continua crescendo, tendo avançado 2% no trimestre findo em fevereiro.
Análise dos economistas
Os economistas também observam a continuidade da tendência setorial, com setores menos cíclicos sendo os únicos a adicionar novos empregos no trimestre móvel, como foi o caso de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, e administração pública.
Algumas das principais análises incluem:
- A taxa de desemprego em nova mínima e a massa salarial em recorde reforçam a resiliência da renda das famílias, fator que ajuda a sustentar o consumo.
- O mercado de trabalho segue sendo o principal suporte da atividade doméstica, ainda que seu dinamismo tenda a moderar gradualmente ao longo de 2026.
- A abertura qualitativa da pesquisa do IBGE mostra um mercado de trabalho menos favorável na margem, com piora do desemprego, recuo do contingente ocupado, elevação da subutilização e aumento da população fora da força de trabalho.
Os economistas também destacam que o mercado de trabalho segue aquecido no Brasil, com a série com ajuste sazonal mostrando que o desemprego passou de 5,5% para 5,6%, permanecendo em um patamar historicamente baixo.
Além disso, a carteira de empregos com carteira assinada caiu pelo terceiro mês seguido, e a população ocupada recuou pelo quarto mês consecutivo, o que pode indicar uma desaceleração no ritmo de criação de vagas.
O banco central deve conduzir o ciclo de cortes de juros com mais cautela ao longo do ano, devido à combinação de desemprego em mínimas históricas e crescimento real dos salários, que deve continuar pressionando os preços, principalmente de serviços.
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