De patinho feio a trunfo: Refino ganha força e pode virar motor extra para Petrobras
O segmento de refino da Petrobras, por muitos anos visto como um dos elos mais fracos da companhia, pode estar prestes a mudar essa percepção. Um relatório recente do BTG Pactual chamou atenção para o potencial do downstream de se transformar em uma fonte relevante de geração de caixa para a estatal.
O principal fator por trás dessa mudança é o cenário global para as margens de refino, conhecidas como crack spreads. Segundo o BTG, os spreads permaneceram significativamente acima das médias históricas e apresentaram nova aceleração recente. Isso se deve a fatores estruturais, como anos de subinvestimento em capacidade de refino global e restrições à oferta de combustíveis russos após as sanções internacionais.
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o mercado pode estar subestimando a relevância dessa dinâmica para a Petrobras. “Durante muito tempo o refino foi tratado como o patinho feio da tese da Petrobras, visto como um negócio que consumia caixa e derrubava margem. O que a leitura mais recente sugere é uma inversão desse papel”, afirma.
Algumas razões pelas quais o refino pode se tornar um trunfo para a Petrobras incluem:
- A Petrobras refina aproximadamente 70% de seu próprio petróleo, o que permite capturar diretamente os ganhos provenientes do aumento das margens de refino.
- O refino pode ampliar sua contribuição para os lucros, para o fluxo de caixa livre e para os dividendos distribuídos aos acionistas.
- As refinarias da Petrobras vêm operando próximas de níveis recordes, com taxas de utilização ao redor de 97%.
Essa mudança de percepção pode ter consequências positivas para os investidores, como a sustentação da capacidade de distribuição de dividendos, um dos principais atrativos da Petrobras na Bolsa. O BTG manteve recomendação de compra para as ações preferenciais da Petrobras, com preço-alvo para o final de 2027 de R$ 56 por ação.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link