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Da Bolsa ao câmbio: escolha de Warsh para o Fed será freio para mercado brasileiro?

Escolha de Warsh para o Fed: Impacto no Mercado Brasileiro

A indicação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell no Federal Reserve (Fed) dos EUA não foi bem recebida pelos investidores globais, com o ETF de ações brasileiras caindo cerca de 2% inicialmente. No entanto, após a confirmação da decisão, as perdas foram amenizadas, com o Ibovespa fechando em 0,2% e o dólar subindo 0,6% em relação ao real.

De acordo com Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, a reação inicial de cautela foi natural, mas não deve ser interpretada como sinal de deterioração estrutural para os mercados emergentes. Ele acredita que a escolha de Warsh não deve ser um freio para o mercado brasileiro, pois a médio e longo prazo, a escolha tende a ser positiva.

Algumas razões apontadas para essa visão otimista incluem a percepção de que Warsh, embora seja visto como defensor de juros mais baixos, não representa o afrouxamento agressivo associado a outros nomes considerados por Trump. Além disso, uma postura mais dura com relação à inflação pode fazer com que, depois de um período de juros caindo mais lentamente, os EUA cheguem a uma taxa terminal menor, o que pode ser benéfico para o Brasil.

  • A escolha de Warsh pode levar a uma taxa terminal menor nos EUA, o que pode ser benéfico para o Brasil.
  • Uma postura mais dura com relação à inflação pode fazer com que o dólar fique mais comportado perante o real.
  • O Brasil pode se beneficiar de um juro americano mais baixo à frente, aumentando o diferencial entre a taxa brasileira e a taxa dos EUA.

Outros analistas também compartilham dessa visão, destacando que a escolha de Warsh pode reduzir a volatilidade em relação a opções consideradas mais politizadas e que o mercado entende que não haverá ruptura abrupta. Além disso, a indicação pode reduzir a intensidade do fluxo de vendas de ativos americanos, conhecido como Sell America.

No balanço final, o economista vê uma combinação positiva para o Brasil: dólar globalmente mais fraco, ciclo positivo de commodities e juros domésticos em trajetória de queda, com Selic terminal projetada em 12,25% no fim do ano. “Tudo isso tende a ser favorável para o Brasil”, conclui.

O banco central brasileiro também pode desempenhar um papel importante nesse cenário, com a possibilidade de cortes maiores na Selic em março, o que pode limitar perdas e deixar o mercado mais leve.

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