Custo do Crédito no Brasil atinge Patamares Recorde
O custo do crédito no Brasil está em seu nível mais alto em quase 10 anos, de acordo com dados divulgados pelo banco central em março. A taxa média de juros das concessões alcançou 33,1% anuais, representando um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Essa taxa média, no entanto, esconde disparidades significativas quando separamos os dados por tipo de cliente. Para as pessoas físicas, a taxa cobrada foi de 38,4% no mês passado, 2,8 pontos percentuais acima da observada em março de 2024. Esse patamar é o mais alto desde março de 2017, quando a taxa atingiu 40,6%.
Além disso, a taxa média de inadimplência das pessoas físicas ficou em 7% em março, embora tenha sido ligeiramente mais baixa que os 7,2% de fevereiro. Esses patamares são os mais altos desde o último trimestre de 2012.
- O endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, com um aumento de 0,1 ponto percentual no mês e 1,3 ponto percentual em doze meses, empatando com o recorde histórico de outubro de 2022.
- O comprometimento de renda subiu 0,2 ponto percentual no mês e 1,9 ponto percentual em doze meses, alcançando 29,7%, o maior da série histórica do BC.
Para economistas, esse quadro segue sendo o principal fator de vulnerabilidade do ciclo de crédito no médio prazo. A política monetária restritiva e a desaceleração do crescimento e da dinâmica do mercado de trabalho devem influenciar as condições de crédito nos próximos meses.
No entanto, a postura mais ativa dos bancos públicos na concessão de crédito e as novas linhas de financiamento patrocinadas pelo governo federal e por bancos públicos podem amortecer o ciclo de crédito.
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