CSN (CSNA3) Enfrenta Dívidas e Busca Vender Ativos
A CSN, um grupo que reúne siderúrgica, mineração, logística e cimentos, está enfrentando um paradoxo incômodo: suas operações vão bem, mas a estrutura de capital é apertada. Com cerca de R$ 50 bilhões de endividamento e apenas R$ 9 bilhões em caixa, a empresa precisa encontrar uma saída estrutural urgente.
De acordo com Conrado Rocha, sócio da Polo Capital, o diagnóstico é claro: o problema é financeiro, e a empresa precisa desalavancar. A CSN tomou dívida demais durante o ciclo de juros baixos e agora precisa gerar liquidez, seja por venda de participações minoritárias, entrada de sócios estratégicos ou venda do controle de alguma das pernas do grupo.
Plano de Venda de Ativos
O controlador e presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, anunciou disposição para vender participações minoritárias ou até o controle em quatro frentes distintas: siderurgia, mineração, cimentos e logística. A unidade de cimentos tem entre 10 e 12 interessados.
No entanto, fatores externos atrapalharam o enredo. A Raízen teve sua nota rebaixada pelas agências internacionais de classificação de risco, e seus títulos emitidos no exterior despencaram cerca de 20 pontos em uma janela curtíssima de dias. Isso contaminou o preço da dívida da CSN no mercado externo e, posteriormente, no mercado local.
Desafios e Oportunidades
A CSN precisa vender ativos para se desalavancar, mas a venda de pedaços ou da totalidade da unidade de cimentos, por exemplo, retira uma das apostas que a própria companhia construiu na última década como diversificação.
Um componente macroeconômico que pode ajudar é a trajetória da Selic: cada corte de 1 ponto percentual na taxa básica reduz em R$ 500 milhões a despesa anual de juros do grupo. No entanto, a Polo não aposta nesse cenário e frisa que a tese precisa se sustentar pela capacidade de venda de ativos, não por fatores externos.
A gestora mantém posição pequena em CSN nos fundos de crédito, atenta sobretudo ao desempenho do controlador na execução do plano. O caso da CSN é emblemático do momento mais amplo que o crédito privado brasileiro atravessa: empresas que se financiaram barato na época de juros baixos e agora precisam reestruturar passivos em um ambiente mais caro.
- CSN precisa vender ativos para se desalavancar
- Fatores externos atrapalharam o enredo
- Componente macroeconômico pode ajudar, mas não é o foco
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