Citi Corta Recomendação de Mercado Livre Após Resultados do 1T26
Os analistas do Citi cortaram a recomendação das ações do Mercado Livre de compra para neutro, após a divulgação de resultados do primeiro trimestre de 2026 que vieram abaixo das expectativas do mercado. A instituição financeira também revisou para baixo o preço-alvo dos papéis, que passou de US$ 2.200 para US$ 1.950 para 2026.
Segundo os analistas, embora a empresa mantenha um crescimento excepcional, a dificuldade em modelar a inflexão das margens em meio ao atual ciclo de investimentos pesados equilibrou a relação entre risco e retorno. O ciclo de investimentos mais longo e intenso é um dos principais motivos para a mudança de visão dos analistas.
Motivos da Mudança de Visão
- A expansão em novas verticais de negócio está gerando pressão na taxa de comissão e nos custos operacionais.
- O ciclo de investimento é mais longo e intenso do que o esperado.
- A gestão está focada no fortalecimento do diferencial competitivo a longo prazo, mas isso está sendo feito às custas das margens de lucro no curto e médio prazo.
O relatório do Citi também destaca que a administração da companhia justificou o desempenho recente, afirmando que o primeiro trimestre deste ano reflete as escolhas da empresa em ajustar seus indicadores para priorizar o crescimento. Além disso, o banco revisou suas projeções para a margem Ebit, que agora deve ficar abaixo de 8% ao longo de 2026 e 2027.
Impacto nos Resultados
O Citi cortou as estimativas de lucro líquido para o período entre 2026 e 2028 em até 22%. No braço financeiro, o Mercado Pago, houve um aumento significativo nas projeções para a carteira de crédito, o que impulsionou a receita, mas também aumentou os custos de captação e a necessidade de provisões contra devedores duvidosos.
Os analistas acreditam que o mercado ainda pode realizar novas revisões negativas no consenso, já que as projeções do banco para o lucro líquido de 2027 e 2028 estão entre 11% e 12% abaixo da média de outras instituições. Atualmente, a ação é negociada a mais de 30 vezes o preço sobre lucro (P/E) estimado para 2027, patamar que o banco considera em linha com a média histórica, mas arriscado diante da “elevada incerteza em torno das margens” e da volatilidade do cenário competitivo.
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